Os riscos de usar o reconhecimento facial ou a impressão digital para desbloquear o telemóvel

By | 05/03/2026

Ao contrário das palavras-passe tradicionais, o desbloqueio com dados biométricos pode ser usado sem o consentimento do dono dos dispositivos.

A autenticação biométrica, que permite o desbloqueio de smartphones com reconhecimento facial ou impressões digitais, tornou-se uma característica comum dos dispositivos modernos.

No entanto, os defensores dos direitos digitais alertam que a mesma tecnologia que parece futurista também pode expor os utilizadores a riscos legais e de segurança pessoal, particularmente quando o acesso a um dispositivo pode ser forçado sem consentimento.

Nos Estados Unidos, os tribunais decidem geralmente que as proteções constitucionais impedem as autoridades policiais de obrigar os indivíduos a divulgar palavras-passe ou códigos de acesso. Contudo, essas mesmas proteções muitas vezes não se aplicam a dados biométricos, como impressões digitais ou reconhecimento facial.

Como resultado, as autoridades podem conseguir obrigar uma pessoa a desbloquear um dispositivo utilizando os seus dados biométricos em determinadas circunstâncias. Esta distinção legal levou as organizações de defesa da liberdade de imprensa e das liberdades civis a aconselhar os jornalistas e ativistas a desativar o desbloqueio biométrico e a utilizar palavras-passe quando lidam com informação sensível.

Os riscos não se limitam a pessoas em cargos de destaque ou politicamente sensíveis. Os especialistas em segurança observam que os recursos biométricos podem ser explorados em situações do dia-a-dia. Há relatos de pessoas que desbloqueiam os telemóveis dos seus parceiros enquanto estes dormem, bem como casos em que grupos criminosos obrigam as vítimas a desbloquear dispositivos com impressões digitais ou reconhecimento facial para obter acesso a carteiras de criptomoedas e aplicações do banco, refere a Fast Company.

Mesmo cenários não criminosos geram preocupação: os pais queixam-se dos filhos que usam o rosto ou a impressão digital dos pais enquanto dormem para contornar as restrições de tempo de ecrã e aceder à internet à noite.

Ao contrário de uma palavra-passe, os identificadores biométricos não podem ser alterados se forem comprometidos. Se alguém obtiver acesso físico ao rosto ou à impressão digital de um utilizador poderá desbloquear o dispositivo e aceder a mensagens, fotografias, aplicações bancárias e dados pessoais. Isto torna a segurança biométrica altamente dependente da segurança física.

Os especialistas em privacidade afirmam que os utilizadores que acreditam estar em maior risco podem tomar medidas simples para melhorar a sua segurança. Desativar permanentemente o reconhecimento facial ou o desbloqueio por impressão digital obriga à utilização de uma palavra-passe sempre que o telemóvel é acedido, eliminando a possibilidade de desbloqueio biométrico involuntário. Embora menos convenientes, as palavras-passe são protegidas por salvaguardas legais mais robustas em muitas jurisdições.

Para os utilizadores que não desejam abandonar completamente a biometria, os especialistas recomendam desativá-la temporariamente em situações sensíveis. Reiniciar o smartphone desativa automaticamente o desbloqueio biométrico até que a palavra-passe seja introduzida, proporcionando uma rápida reposição de segurança. Os ativistas e jornalistas utilizam frequentemente este método antes de atravessar fronteiras, participar em protestos ou entrar em ambientes onde os dispositivos podem ser revistados ou apreendidos.

(ZAP)