Os especialistas desenvolveram um método que permite transformar as células de suporte do cérebro num outro tipo de células “positivas”, que desempenha um papel significativo no controlo de doenças como a esquizofrenia, a epilepsia e outras condições neurológicas. Estas células são fundamentais para manter o equilíbrio da atividade cerebral, gerando uma sensação de calma.
Uma equipa de investigadores da Universidade de Lund, na Suécia, anunciou uma descoberta inovadora que promete mudar a forma como certas perturbações neurológicas são estudadas e, no futuro, tratadas: conseguiram reprogramar células da glia humana, as células de suporte do cérebro, para se tornarem interneurónios parvalbumina (PV), um tipo de neurónio inibitório que atua como o “travão rápido” dos circuitos cerebrais.
Recriam o principal mecanismo inibitório do cérebro humano.
Estas células “positivas”, ou células parvalbumina, geram equilíbrio e calma, controlando as doenças mentais. O estudo, publicado na revista Science Advances, apresenta um método 3D reproduzível que gera células com características moleculares e funcionais de interneurónios PV.
Os interneurónios parvalbumina são cruciais para manter o equilíbrio da atividade neuronal: sincronizam o ritmo elétrico do cérebro e reduzem a hiperexcitação. Quando são escassos ou apresentam um mau funcionamento, aumenta o risco de distúrbios como a esquizofrenia, a epilepsia e outros problemas que afetam as redes neuronais do cérebro.
Perante a dificuldade histórica de produzir células PV humanas em cultura, principalmente porque se formam tardiamente no desenvolvimento fetal, a equipa desenvolveu uma estratégia de reprogramação que ignora o estádio de pluripotência e transforma diretamente os progenitores gliais derivados de células estaminais em neurónios inibitórios. O processo resulta em grupos neuronais distintos em apenas duas semanas.
Como criar neurónios que mantêm o equilíbrio cerebral
Os cientistas realizaram a conversão num ambiente tridimensional e utilizaram a sequenciação de núcleo único, uma técnica para rastrear a trajetória da identidade celular durante a conversão. Esta via revelou a ativação de genes chave, que foram pouco explorados na reprogramação neuronal até então. Os investigadores descrevem estes genes como ferramentas vitais para futuros desenvolvimentos nestas áreas.
Segundo um comunicado de imprensa, os investigadores enfatizam tanto o valor fundamental como o potencial clínico: a curto prazo, a técnica permite gerar células PV a partir de biópsias de pacientes, para estudar como estas células falham em doenças específicas.
