Google mira o espaço: data centers movidos a energia solar podem operar em órbita até 2027

By | 04/12/2025

Google quer construir seus primeiros data centers no espaço, impulsionados por energia solar, a partir de 2027.

A iniciativa busca enfrentar a crescente demanda energética causada pela inteligência artificial.

Projeto faz parte do “Suncatcher”, nova aposta do Google para testar aprendizado de máquina fora da Terra.

A ideia de data centers fora da Terra

O Google planeja dar um salto ousado em sua infraestrutura tecnológica. Segundo anunciou o CEO Sundar Pichai, a empresa pretende lançar pequenos racks de servidores em satélites já em 2027.

Esses primeiros testes marcarão o começo daquilo que o executivo descreveu como “a próxima era da computação energética”.

O plano faz parte do Projeto Suncatcher, revelado em novembro de 2024. A proposta é experimentar como sistemas de aprendizado de máquina podem ser escalados fora do planeta, aproveitando a energia solar direta do espaço.

O Google trabalhará em parceria com a Planet, empresa de imagens de satélite baseada nos Estados Unidos. O lançamento inicial contará com dois satélites piloto que testarão hardware e comunicação óptica em órbita terrestre.

Pichai declarou que, dentro de uma década, os data centers espaciais deverão se tornar uma forma “comum” de operação para grandes empresas de tecnologia.


Uma resposta à crise energética da IA

A corrida por inteligência artificial tem elevado o consumo de energia a níveis inéditos. Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, os data centers responderam por 4,4% da eletricidade do país em 2023 e podem chegar a 12% até 2028.

O próprio Google viu seu gasto elétrico mais que dobrar nos últimos cinco anos, de 14,4 milhões para 30,8 milhões de megawatt-horas.

Especialistas em meio ambiente alertam que o crescimento rápido da IA traz riscos ainda pouco compreendidos. Golestan Radwan, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, lembrou recentemente que é preciso garantir um impacto líquido positivo da tecnologia sobre o planeta.

Pichai argumenta que o espaço pode ser parte dessa solução. Ele destaca que a energia solar disponível fora da atmosfera é até oito vezes mais eficiente do que a captada na Terra.

Em órbita heliossíncrona, os satélites poderiam operar continuamente em luz solar, sem depender de ciclos diurnos.


A nova corrida espacial da computação

O Google não está sozinho nessa ambição. A startup Starcloud, apoiada pela Y Combinator e pela Nvidia, também entrou na disputa.

Em novembro, lançou um satélite com uma GPU H100 que oferece cem vezes mais poder de processamento do que os sistemas espaciais anteriores. Seu CEO estima que os data centers em órbita poderiam emitir até dez vezes menos carbono que os terrestres.

Apesar de mirar o espaço, o Google segue investindo pesado na Terra. Em paralelo, anunciou US$ 40 bilhões em novos centros de dados no Texas, seu maior investimento em um único estado americano.

Essa estratégia dupla reflete a pressão do setor, as gigantes de tecnologia precisam garantir capacidade para alimentar o rápido avanço da IA, inclusive com o recém-lançado modelo Gemini 3.

Relatórios de consultorias como a McKinsey projetam que os data centers terrestres exigirão mais de US$ 5 trilhões em investimentos até 2030. O movimento do Google sugere que parte desse futuro pode, literalmente, estar fora deste planeta.

(Discovery)