O dono da Digi vendia gelados junto à igreja. Hoje é um mistério

By | 15/11/2024

O “multimilionário sem rosto” está a revolucionar o mercado das comunicações em Portugal. Um resumo do percurso de Zoltán Teszári.

A revolução no mercado das comunicações em Portugal tem um nome: Digi. E na criação dessa empresa romena surge outro nome: Zoltán Teszári.

O multimilionário de 54 anos começou a criar fortuna ainda no século passado, mas desde cedo tentou – e conseguiu – ser discreto.

Como destaca o Observador, uma das poucas imagens de que há registo surgiu logo após a queda da URSS: já tinha um Audi 80 quando a maioria dos outros romenos se ficava por um Dacia.

Foi campeão de judo mas foi no mundo empresarial que se começou a destacar.

Destaca-se… longe dos jornalistas, longe das câmaras. Gosta de ser conhecido como o “multimilionário sem rosto”. E com razão: é multimilionário e o seu rosto quase nem aparece.

O seu maior inimigo, segundo a imprensa romena, não é um adversário empresarial, um concorrente – são as máquinas fotográficas.

Nos números, Teszári é uma máquina: está no top-20 das pessoas mais ricas da Roménia, com um património de quase 400 milhões de euros. Sim, a grande fatia relacionada com a área das telecomunicações.

Fundou e lidera a Digi, mas longe dos trabalhadores. Aliás, há relatos de trabalhadores que nem sabem como falar com o proprietário. Também a nível interno, tem muita cautela sobre os momentos em que fala e com quem fala.

Voltando ao mistério e ao seu currículo: ninguém sabe ao certo onde é a casa de Zoltán Teszári. Terá um modesto escritório em Oradea, a sua cidade natal. Também terá um filho – em princípio.

Proveniente de uma família de origem húngara, e com pouco dinheiro em casa, não era propriamente brilhante na escola mas tinha uma “capacidade mental aguçada”, contam antigos colegas.

Durante as suas viagens a outros países – por causa de torneios de judo – começou a aproximar-se do mundo dos negócios. Como? Trazia para a Roménia produtos/marcas que não havia no seu país: whisky, roupa, cigarros, café. Comprava barato, vendia caro e o lucro era considerável.

Foi com esse lucro que conseguiu investir numa gelataria. E assim começou oficialmente o seu percurso de empresário: a vender gelados no quintal de uma igreja.

Logo aí as escolhas não foram ao acaso: o seu parceiro era neto do bispo e a zona — o quintal da igreja — era adequada para o negócio.

A sua gelataria viria mesmo a tornar-se na maior distribuidora para produção de gelados da Transilvânia.

Depois entrou no negócio de importação de equipamentos para televisores – e sim, mais tarde passou a ter uma empresa de telecomunicações. Primeiro negócio de televisão por cabo, depois internet e já no final do século… A Digi Communications.

(ZAP)