Duplicar a percentagem de mulheres em tecnologia poderia aumentar o PIB da UE em até 600 mil milhões de euros

By | 28/02/2023
Para colmatar as atuais lacunas, um novo estudo detalha que a Europa terá de aumentar o seu talento tecnológico feminino em mais de 1,6 milhões, alcançando um equilíbrio de 40/60, até 2027.
 

Duplicar a percentagem de mulheres em tecnologia poderia aumentar o PIB da UE em até 600 mil milhões de euros
 

Um novo estudo revela que, se a percentagem de mulheres em empregos tecnológicos duplicasse até 2027, o PIB da União Europeia poderia aumentar em até 600 mil milhões de euros.

Segundo o estudo, realizado pela McKinsey & Company junto de mais de 60 milhões de trabalhadores na Europa, apenas 22% das mulheres europeias ocupam cargos tecnológicos em empresas.

As áreas de desenvolvimento e gestão de produto (46%) e de engenharia, ciência e análise de dados (30%) são as que contam com uma maior representação feminina. Do outro lado do espetro estão as áreas de DevOps e Cloud (8%), sistemas (15%) e engenharia core (18%) que, segundo os especialistas, são as que têm os cargos com maior procura atualmente.

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Embora a presença de mulheres em empresas tecnológicas ou organizações ligadas a este sector seja de 37%, o estudo realça que existe uma dispersão considerável. As redes sociais (50%) e o comércio eletrónico (46%) são as áreas com maior representatividade feminina, sendo também as únicas onde se regista paridade.

A área com menor presença feminina é a engenharia e produção com 31%, em comparação com 39% verificados nas áreas de telecomunicações e consultoria de TI.

Citado em comunicado, André Osório, Diretor de Client Capabilities da McKinsey em Portugal e em Espanha, indica que “a falta de talento no setor tecnológico pode colocar a capacidade de crescimento da Europa e das suas empresas em risco, e os líderes estão conscientes desse problema”.

“77% dos executivos citaram o défice de competências como um obstáculo à implementação da transformação digital, e apenas 16% dos líderes afirmaram que as suas empresas estão preparadas para colmatar esta lacuna”, afirma André Osório.

Os especialistas detalham que esta lacuna se relaciona diretamente com a percentagem de mulheres no ensino superior nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). De acordo com o estudo, a média europeia de mulheres licenciadas em cursos STEM é de 32%, com Portugal a fechar o top 10 europeu (35%).

 

No entanto, a falta de mulheres em STEM não se deve a uma menor predisposição das mesmas para o tema. Aliás, em todos os países europeus, as alunas e os alunos pré-adolescentes não mostram diferenças nas competências científicas e matemáticas, como refletido no teste TMMS, realizado aos 9 anos de idade, e no teste PISA, realizado aos 15 anos de idade.

Como colmatar a falta de mulheres na tecnologia? 

Para colmatar a lacuna, a Europa terá de aumentar o seu talento tecnológico feminino em mais de 1,6 milhões, alcançando um equilíbrio de 40/60 até 2027. Para tal é necessário apostar em quatro áreas-chave: redistribuição, remodelação, retenção de talentos e redimensionamento.

Impulsionar a formação STEM e recrutar mulheres com potencial em papéis não tecnológicos que tenham competências indiretamente relacionadas com a tecnologia são medidas essenciais.

Em questão está também a eliminação de preconceitos no processo de contratação e das disparidades salariais, assim como a criação de oportunidades de liderança feminina e o aumento da taxa de mulheres inscritas e licenciadas em cursos STEM.

“Se as empresas tiverem presentes estes pilares, poderemos ter uma presença feminina de 33% a 45% em cargos tecnológicos nos próximos anos”, realça André Osório.

O responsável afirma que “é de particular importância aumentar a presença de mulheres nos cargos de topo: por exemplo, empresas em que a presença de mulheres nos conselhos de administração ultrapassa os 30% têm em média um investimento em I&D quatro vezes superior ao resto da economia”.

O estudo revela também uma oportunidade adicional para reintegrar mulheres atualmente fora da força de trabalho. Os dados avançados indicam que mais de 13 milhões de mulheres europeias com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos estão fora do mercado de trabalho, representando 18,5% do total da população feminina.

 

Deste conjunto, cerca de 46% citam as responsabilidades familiares como a principal razão pela qual não podem trabalhar. É nesta área onde existe espaço de atuação para as organizações.

“Assumindo que a taxa de sucesso das mulheres que reentram no mercado de trabalho tecnológico se situa entre 15% e 20%, com as empresas a oferecer políticas de conciliação e flexibilidade, tais como cuidados infantis e apoio familiar no trabalho, estamos a falar de 140.000 a 200.000 talentos tecnológicos que poderiam ser incorporados nesta indústria a nível Europeu“, enfatiza André Osório.

(Teksapo)