Chrome começa a desactivar uBlock Origin

By | 19/10/2024

O Chrome começou a bloquear as extensões Manifest V2, que incluem adblockers populares como o uBlock Origin.

Depois do prenúncio nos últimos dias, em que alguns utilizadores começaram a ver a mensagem de que a extensão uBlock Origin iria ser bloqueada, vários utilizadores estão a deparar-se com o seu Chrome a dizer-lhes que desactivou o uBlock Origin e outras extensões.
O criador do uBlock Origin, Raymond Hill, confirmou a alteração ao fazer retweet um utilizador que recebeu uma notificação do Chrome a informar que a extensão já não é suportada e recomendando a sua remoção. Esta medida não é propriamente uma surpresa, tendo vindo a ser preparada pela Google desde 2019, e de forma mais intensiva nos últimos meses. A Google apresenta-a como sendo uma necessidade de segurança, já que as anteriores extensões tinham total acesso a todos os conteúdos dos sites, fazendo com que extensões maliciosas pudessem facilmente manipular e roubar dados; sendo que o novo Manifest V3 aplica muito mais restrições às capacidades das extensões – com consequência directa naquilo que os adblockers, e outras extensões, podem fazer. (Pessoalmente, não percebo porque não mantiveram aquilo que já existe, que é o de tornar claro, e deixar esse acesso total sujeito a aprovação/permissão por parte do utilizador).

Muitos utilizadores estão a criticar esta decisão e dizem que isto é justificação suficiente para mudarem para outros browsers, com os principais candidatos a serem o Firefox (a eterna “alternativa”), ou o Brave (para quem preferir manter-se com um browser que usa o mesmo motor do Chrome e suporta as suas extensões).

A questão é que, por muitas que sejam as críticas, adblockers como o uBlock Origin têm “apenas” 39 milhões de utilizadores, e mesmo que todos eles decidissem mudar para outro browser, isso continuaria a ser quase irrelevante para a Google face aos mais de 3.4 mil milhões de utilizadores do Chrome. No entanto, também sabemos que estes grandes produtos não terminam de um dia para o outro, mas começam por começar a perder relevância por força de utilizadores que vão recomendando e promovendo outros browsers – no mesmo estilo do que aconteceu quando foi o Chrome a enfrentar o domínio do Internet Explorer da Microsoft. Por isso, apesar desta alteração do Chrome poder não ter impacto imediato, não me surpreenderia se acabasse por ser o ponto de viragem que marcasse o início do fim do domínio do Chrome na web.