Duas empresas juntaram-se para explorar uma ideia louca: a construção de monumentais arranha-céus que são ao mesmo tempo enormes sistemas de armazenamento de energia baseados na gravidade.
O estúdio de arquitetura nova-iorquino Skidmore, Owings & Merrill (SOM), que projetou o Burj Khalifa do Dubai, o edifício mais alto do mundo, juntou forças com a Energy Vault Holdings para investigar a possibilidade de criar algo ainda mais alto. E algo mais do que isso.
As duas empresas estão a planear a construção de enormes arranha-céus, com 1 quilómetro de altura, que funcionariam também como gigantescas baterias — enormes sistemas de armazenamento de energia baseados na gravidade.
A proposta apresenta dois conceitos particularmente notáveis, a que o consórcio dá os nomes de EVu e EVc.
O conceito de EVu, que lembra estudos anteriores de empresas como a Gravitricity e a IISA, consiste em aproveitar o excesso de energia, proveniente de fontes renováveis como a energia solar ou de uma rede elétrica normal – para elevar um peso até ao topo de um arranha-céus muito alto.
Quando necessário, o peso é então libertado, permitindo-lhe descer até ao fundo do edifício, aproveitando a força da gravidade para acionar um gerador.
“EVu é um projeto de torre de superestrutura que melhora a economia da unidade e permite a integração de sistemas de armazenamento de energia por gravidade (GESS) em edifícios altos através da utilização de uma estrutura oca com alturas superiores a 300 metros e até 1.000 metros de altura”, explica o comunicado da SOM e da Energy Vault Holdings.
“Estas estruturas terão a capacidade de atingir vários GWh de armazenamento de energia com base na gravidade para alimentar não só o próprio edifício, mas também as necessidades energéticas dos edifícios adjacentes”, realça a nota.
Juntamente com o sistema de gravidade EVu acima referido, a equipa também propõe o chamado sistema EVc. Este sistema funcionaria de forma semelhante, mas em vez de um grande peso, bombearia água para o topo do arranha-céus e depois deixá-la-ia cair para fazer funcionar as turbinas e produzir energia.
Embora possa parecer futurista, há já diversos sistemas semelhantes em funcionamento para centrais hidroeléctricas de armazenamento por bombagem, nos quais a água é libertada de uma montanha ou colina, por exemplo, gerando eletricidade através da rotação de turbinas à medida que desce a encosta e fornecendo mais eletricidade quando necessário.
Quando o excesso de energia está novamente disponível, a água é bombeada de volta para o topo, pronta para recomeçar o processo.
Embora a ciência básica por detrás de ambas as ideias seja sólida, os desafios práticos são consideráveis e incluem questões como a capacidade de suportar todo esse peso extra, bem como a eficiência e a manutenção geral.
No entanto, talvez os maiores obstáculos sejam os mais aborrecidos: a quantidade de espaço que ocuparia e todas as peças móveis poderiam tornar a construção de um arranha-céus para escritórios ou residências com este sistema simplesmente inviável do ponto de vista económico.
Esta ideia revolucionária está ainda apenas no papel, e a sua viabilidade não está provada. Mas por trás dela, estão os criadores do monumental Burj Khalifa — que continua a ser, pelo menos para já, o edifício mais alto do mundo.
(ZAP)
