A inteligência artificial está em todo o lado, mas há formas de escapar à invasão e assumir o controlo dela, antes que ela o controle a si…
A inteligência artificial está a ser integrada em quase todos os serviços digitais, muitas vezes sem que os utilizadores a tenham sequer pedido ou notado que ela lá está. Desativá-la nem sempre é fácil, mas há maneiras de recuperar algum controlo sobre os dispositivos e proteger os dados pessoais.
Segundo um inquérito da Gallup e do Special Competitive Studies Project, há mais do dobro dos norte-americanos que desconfiam da IA do que aqueles que confiam nela. Um estudo do Pew Research Center, realizado em 2026, revelou que, embora cerca de metade dos americanos utilize chatbots, a maioria receia que a tecnologia coloque os seus dados pessoais em risco.
Para Rory Mir, da Electronic Frontier Foundation (EFF), uma organização de defesa da privacidade digital, aqui citado pelo Vox, parte da resistência resulta de uma imposição: a tecnologia é introduzida sem consentimento e, frequentemente, sem uma opção clara para a desativar: escapar à IA está a tornar-se cada vez mais difícil.
A tecnologia está progressivamente integrada nos motores de busca, aplicações de correio eletrónico, câmaras e redes sociais. Evitá-la completamente poderá exigir que se abdique dos próprios serviços digitais, desabafa Arvind Narayanan, professor de Ciências da Computação na Universidade de Princeton.
As alternativas
A primeira é simplesmente não utilizar ferramentas como ChatGPT, Claude, Copilot ou Gemini. Mais complicado é desativar as funcionalidades de IA incorporadas nos sistemas operativos.
A Apple Intelligence, o Google Intelligence e o Microsoft Copilot introduziram ferramentas capazes de resumir notificações, escrever textos ou responder a perguntas. Muitas destas funcionalidades podem ser desativadas nas definições dos dispositivos, embora o processo nem sempre seja simples.
Os navegadores e motores de busca oferecem outra oportunidade para reduzir a exposição. Acrescentar «-ai» às pesquisas no Google pode ajudar a eliminar os resumos gerados automaticamente. Também pode recorrer a alternativas centradas na privacidade, como o DuckDuckGo.
Nas redes sociais, o enredo complica-se. TikTok, Instagram, Facebook e YouTube não disponibilizam um botão que permita desligar todas as ferramentas de IA. Uma possibilidade é substituir as recomendações algorítmicas por uma apresentação cronológica das publicações. No Instagram, por exemplo, é possível escolher visualizar apenas os conteúdos das contas seguidas.
A utilização dos dados pessoais para treinar modelos de IA constitui outra preocupação. A Meta utiliza conteúdos públicos do Facebook e Instagram para desenvolver os seus modelos. Tornar as contas privadas pode limitar essa recolha, enquanto o X disponibiliza opções para impedir determinadas utilizações dos dados no treino de IA.
(ZAP)
