Este gadget usa IA para ouvir as plantas e traduzir o que dizem

By | 03/11/2026

Preso ao caule por dois parafusos, o Bud lê os sinais elétricos das plantas e usa inteligência artificial para dizer se têm sede ou stress. Por trás está um modelo treinado com 4 milhões de horas de sinais de 1.400 plantas — de tomateiros a sequoias.

Se as plantas falassem, talvez nos ajudassem a perceber melhor as condições do ambiente. Foi para isso nasceu um novo sensor, que usa IA para ouvir a fala das plantas e traduzi-la em dados que os humanos entendem.

Trata-se do Bud, da Electric Plant Co., um sensor portátil, leve e barato, que se prende às plantas através de duas sondas. Deteta e interpreta os sinais elétricos que as plantas produzem naturalmente.

Dois parafusos de aço inoxidável fixam o sensor, que se pode colocar em plantas com um caule de pelo menos 2,5 centímetros de espessura. Quando é usado em árvores, é suficientemente sensível para chegar ao câmbio, a camada que separa a casca da madeira.

Como todos os seres vivos, as plantas produzem eletricidade.

A empresa diz que, ao seguir e descodificar os sinais elétricos que as plantas emitem em resposta a estímulos do ambiente, o sensor consegue recolher dados sobre coisas como a hidratação e o stress.

“Penso nisto quase como uma ficha de ligação”, diz à Fast Company o cofundador e diretor executivo da Electric Plant, Justin Mast.

“A tecnologia sofisticada é a própria planta”, afirma Mast. “As plantas e as árvores têm milhões de pequenos micro-recetores que processam informação sobre o mundo à sua volta. Depois, coordenam muitas das suas respostas físicas através de sinais eletroquímicos, e é a isso que nos ligamos e é isso que ouvimos.”

Há outras empresas também a tentar traduzir as necessidades das plantas para uma linguagem simples.

Uma delas, a Vivent Biosignals, uma empresa suíça de inteligência vegetal que também usa IA, anunciou em julho que ultrapassou os 2 milhões de dias de plantas monitorizadas.

O fundador de uma startup britânica chamada Smarty Plants, que faz sensores de enfiar na terra para plantas de interior, apresentou o seu produto num episódio de um reality show de negócios da BBC, emitido no mês passado.

A Electric Plant saiu do anonimato na semana passada, com 11,2 milhões de dólares de financiamento inicial. O seu modelo de inteligência artificial, chamado Bombadil, foi treinado com mais de 4 milhões de horas de sinais elétricos de mais de 1.400 plantas de 100 espécies.

A partir dos sinais elétricos de uma planta, o modelo estima sete marcadores de stress fisiológico, como a eficiência de funcionamento do fotossistema ou a diferença de temperatura entre as folhas e o ar, e transforma-os em informação sobre o estado da planta.

Num mundo cada vez mais quente e com os preços de coisas como os fertilizantes a subir, a tecnologia abre a possibilidade de plantar de forma mais eficiente e com maior taxa de sucesso.

Mast, que também fundou a Bloomscape, um serviço de entrega de plantas de interior ao domicílio, diz que, enquanto lá trabalhava, aprendeu em primeira mão como é difícil dizer às pessoas do que as plantas precisam a cada momento.

“É tudo muito contextual”, diz. E o mesmo vale para a silvicultura e a agricultura.

“No fundo, trata-se apenas de aceder à linguagem interna que corre pelas plantas e pelas árvores, para percebermos melhor como elas vivem o mundo e como cuidar melhor delas”, diz Mast.

(ZAP)