Um carro moderno pode andar na estrada muito depois de o fabricante lhe cortar as atualizações de software. Fora as recolhas de segurança, nenhuma lei obriga a mantê-las.
Quando se parte para uma viagem de carro, há sempre a hipótese de alguma coisa correr mal pelo caminho. Se calhar o óleo fica abaixo do nível, ou a bateria morre. Se tiver um carro dos últimos anos, pode aparecer-lhe mais um problema: uma atualização de software.
Tal como o telemóvel precisa de vez em quando de uma atualização para melhorar a segurança ou corrigir erros, os carros de hoje dependem muito do software para funcionar, explica o BGR.
Um dos maiores problemas do uso de software nos carros é a possibilidade de o carro durar mais do que o seu apoio ao software.
Se já teve um aparelho eletrónico durante muitos anos, talvez perceba como isto funciona. À medida que saem modelos mais novos, as atenções viram-se para manter os aparelhos recentes atualizados.
A certa altura, a nova tecnologia fica tão diferente que a empresa deixa de dar apoio ao software dos modelos antigos, porque não pode fazê-lo para sempre.
O problema é que os carros podem durar décadas, não apenas uns anos.
Quando se gastam dezenas de milhares de euros para comprar um carro novo, que vai perder funções importantes depois de a empresa decidir deixar de dar atualizações de software ao modelo, a falta de apoio torna-se ainda pior.
Junte-se a dificuldade para os mecânicos independentes, e o problema fica ainda mais preocupante.
O problema de o carro durar mais do que o software
É difícil perceber a dimensão do problema da falta de apoio ao software sem perceber ao certo o que o software faz nos carros de hoje.
Nos veículos controlados por software, a informática tem um papel importante, que vai bem para lá do sistema de infotainment. Pode ser essencial para controlar o motor, a caixa de velocidades, os sistemas de segurança e de apoio à condução e a telemática.
Perder a ligação do telemóvel ao carro, lá mais para a frente, seria irritante. Mas perder coisas como a energia para os airbags, a caixa automática ou o ponto de ignição, que nos carros podem estar ligados ao software, deixaria o carro perigoso para conduzir.
Até a perda inesperada de funções de segurança opcionais, como o cruise control adaptativo ou os detetores de ângulo morto, podia ser perigosa.
Infelizmente, por agora não há forma de saber durante quanto tempo os fabricantes vão dar apoio a cada veículo. No caso de uma empresa como a Tesla, parece que os seus veículos definidos por software mais antigos, de cerca de 2012, ainda têm algum apoio.
Esses modelos continuam a receber atualizações, mas certas funções que precisam de hardware diferente não podem ser instaladas por atualizações over-the-air.
A garantia mais próxima de um prazo de apoio ao software é a das atualizações ligadas a recolhas por motivos de segurança, já que os fabricantes têm de dar reparações gratuitas nessas recolhas durante 15 anos.
Tirando as recolhas de segurança, não há leis nem obrigações que imponham aos fabricantes manter o apoio ao software do carro ao longo de toda a sua vida. Por isso, é importante saber que carro tem e o que se pode fazer.
O seu carro é um “veículo definido por software”?
Por outro lado, enquanto os veículos definidos por software têm apoio, os donos beneficiam de funções de condução melhoradas e, talvez, de reparações mais fáceis para o que se pode resolver à distância ou no concessionário por atualização de software, em vez de arranjo mecânico.
Se está a comprar um carro novo que conta manter durante muitos anos, é importante recolher o máximo de informação possível junto do concessionário ou fabricante.
Nem todas as informações estarão necessariamente disponíveis, e qualquer estimativa sobre a duração do suporte às atualizações de software poderá mudar. Ainda assim, poderá conseguir algumas indicações úteis.
O mesmo se aplica caso esteja a comprar um carro usado ou um pouco mais antigo: vai querer mesmo saber, por exemplo, se os elétricos descontinuados ainda podem ter apoio ao software.
Se já tem carro e suspeita que pode ser um veículo definido por software, há formas de o confirmar, para perceber melhor a futura manutenção do carro.
Nem todos os veículos definidos por software são elétricos, mas muitos elétricos são definidos por software. Se alguma vez recebeu atualizações over-the-air no carro, ou se um mecânico do concessionário lhe disse que atualizou o software do carro, é muito provável que seja um carro definido por software.
Sinais menos claros podem ser as funções “inteligentes” ligadas à integração com o smartphone e os sistemas avançados de apoio à condução, como poder arrancar com o carro a partir do telemóvel ou o cruise control adaptativo.
(ZAP)
