Trocar a bateria da mota numa estação, em segundos, em vez de a deixar horas a carregar: é esta a ideia da Pollen, uma startup de Lisboa fundada por um ex-Uber.
Rui Bento passou doze anos a tratar da forma como as cidades se movem. Lançou a Uber em Portugal, geriu a operação em Espanha, fundou outra empresa. E ficou sempre preso à mesma pergunta, conta o tech.eu: os carros das cidades estão a passar a elétricos a bom ritmo, mas as motas, não. Porquê?
A resposta deu numa ideia que a revista Time acaba de escolher como uma das melhores invenções de 2026.
Chama-se Pollen, nasceu em Lisboa, e faz uma coisa simples: em vez de esperar horas para carregar a mota elétrica, o condutor para numa estação, troca a bateria vazia por uma cheia e segue viagem em segundos. Mais depressa do que atestar o depósito.
O problema que Bento viu é concreto. Uma mota elétrica é mais cara do que uma a gasolina, porque a bateria pesa muito no preço final, e carregá-la pode levar cinco a oito horas. “Para quem usa a mota profissionalmente o dia inteiro, é um fator de exclusão”, explica.
“Os carros estão a passar a elétricos, mas as motas não, e a Pollen existe para mudar isso. Há sete meses lançámos a primeira estação e estamos a trabalhar para chegar a cada vez mais pessoas”, diz Rui Bento em comunicado da FCUL. “Ver este trabalho reconhecido pela Time é uma homenagem a toda a equipa e um incentivo para ir mais longe.”
A Time cita os números: 90% das motas e ciclomotores ainda andam a gasolina, num momento em que até as frotas comerciais já eletrificam depressa.
A aposta da Pollen é tirar a bateria da equação. Sem bateria integrada, a mota fica mais barata; com uma subscrição, paga-se a energia à medida que se anda.
E, ao contrário das redes de troca que já existem, fechadas e uma por marca, a Pollen diz ter criado a primeira bateria universal, capaz de servir motas de marcas diferentes sem obrigar os fabricantes a mudar os seus modelos. É compatível com a maioria das scooters elétricas, de marcas como a NIU, a Honda ou a Yamaha.
Fundada em 2024 com Miguel Morgado, a empresa já fez mais de 25 mil trocas de bateria desde que arrancou, em março, e tem três estações em Lisboa — no Lumiar, nas Amoreiras e em Alvalade. Levantou 3,2 milhões de euros de investidores e quer chegar a 30 ou 40 estações na cidade até ao fim do ano.
É cedo, e por enquanto o serviço vira-se sobretudo para frotas e estafetas. Mas a ideia já viajou mais longe do que qualquer mota: até à lista das invenções do ano.
Por enquanto são três estações numa cidade. Mas a ideia já viajou mais longe do que qualquer mota: até à lista das invenções do ano.
(ZAP)
