Tecido “pulmonar” do MIT deixa a pele respirar durante o exercício físico

By | 15/10/2026

Material inspirado nos pulmões humanos arrefece a pele: mantém cerca de 70% de água, mas deixa passar 10 vezes mais oxigénio do que um hidrogel tradicional. Temperatura corporal desceu, em cerca de um grau.

Investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram um novo hidrogel inspirado nos pulmões humanos que permite à pele respirar e libertar o suor durante o exercício físico.

O avanço foi publicado em julho na Nature e procura resolver um problema dos hidrogéis convencionais, que, apesar de serem macios e compatíveis com o organismo, retêm calor e humidade, o que pode provocar irritações na pele e prejudicar as medições dos sensores médicos e outros dispositivos que ficam colados ao corpo durante longos períodos de exercício.

O novo material poderá melhorar o conforto e a precisão dos sensores, dizem os autores da investigação, que encontraram a solução em pequenas partículas de aerogel de sílica, incorporadas no hidrogel. Estas partículas formam uma rede de canais microscópicos, semelhante à estrutura dos pulmões, que permite a circulação de oxigénio e vapor de água, explica o El Confidencial.

O novo material mantém cerca de 70% de água, mas deixa passar 10 vezes mais oxigénio do que um hidrogel tradicional. A passagem de vapor de água é também entre 10 e 100 vezes mais rápida do que nos adesivos de silicone ou poliuretano.

Os resultados dos testes físicos foram surpreendentes. Após 20 minutos de exercício, a temperatura da pele coberta por um adesivo convencional de silicone aumentou 6,5 °C. Sob o novo hidrogel, pelo contrário, desceu cerca de um grau, praticamente sem acumulação de suor.

Dez voluntários usaram os adesivos no peito durante uma hora de exercício moderado sem apresentarem comichão, irritação ou outras reações adversas.

O material também é surpreendentemente resistente: depois de 10 mil ciclos de estiramento, conservou cerca de 95% da sua capacidade de deixar passar o ar.

Os investigadores também transformaram o hidrogel num elétrodo para monitorizar a atividade cardíaca. O dispositivo conseguiu obter eletrocardiogramas mais nítidos durante e após o exercício, mantendo a capacidade de realizar medições durante 10 dias consecutivos.

(ZAP)