Quatro minutos e meio na tomada: a nova corrida para carregar um elétrico

By | 01/10/2026

Na China, a guerra dos elétricos mudou-se para o lugar do carregador. A Geely usou um sistema que usa IA para carregar uma bateria de 10% para 70% em quatro minutos e meio. Foi o suficiente para bater a rival BYD por 30 segundos.

Quatro minutos e 30 segundos. É quanto a Geely diz que precisa para levar a bateria de um carro elétrico dos 10% aos 70%.

A marca chinesa, que está em Portugal desde abril, apresentou um novo sistema de carregamento com uma potência de pico de 2.250 kW.

Segundo o Techspot, a tecnologia recorre a inteligência artificial para controlar a temperatura da bateria e ajustar a potência durante o processo.

Nos testes, a Geely usou um Zeekr 001 e um Lynk & Co 10 híbrido, que chegaram aos 97% de carga em menos de nove minutos.

O desafio, diz a empresa, não é atirar mais eletricidade para dentro da bateria. Quanto maior a potência, maior é também o risco de aquecimento excessivo e degradação da bateria, principalmente quando a carga já está perto do máximo.

É aí que entra o software. O sistema tenta antecipar a evolução da temperatura da bateria e altera a potência à medida que o carregamento avança.

A corrida já estava lançada.

No início do ano, a BYD anunciou uma tecnologia capaz de carregar a bateria dos 10% aos 70% em cinco minutos. A Geely reclama agora uma vantagem.

São apenas 30 segundos. Parece pouco?

Sim, mas é uma uma eternidade: os fabricantes chineses estão a disputar cada minuto passado que os desgraçados dos condutores têm que passar ao pé do carregador.

A autonomia continua a contar, claro. Mas, com os elétricos a percorrer distâncias cada vez maiores, o tempo necessário para recuperar energia começa a pesar mais na escolha de um modelo.

Enquanto tenta aproximar-se da BYD, a Geely tem investido nas próprias baterias, e em redes de carregamento.

A BYD é a marca automóvel mais vendida na China desde 2023, e ultrapassou mesmo a Tesla nas vendas globais de veículos elétricos. Durante os primeiros dois meses deste ano, a Geely chegou a passar para a frente nas vendas. Foi a sua maior vantagem sobre a BYD desde 2022.

Durou pouco: nos meses seguintes, voltou a ficar atrás.

A diferença em relação à BYD é curta, mas a Geely aposta no papel da IA. Se  conseguir repetir estes resultados fora dos testes controlados, poderá ajudar a manter velocidades de carregamento muito elevadas sem castigar tanto a bateria.

Para já, os quatro minutos e meio valem em pista fechada. Falta ver se resistem ao mundo real, e à próxima cronometragem da BYD.

(ZAP)