O eFlyer 2, um avião de treino totalmente elétrico desenvolvido pela empresa norte-americana Bye Aerospace, realizou com sucesso o seu primeiro voo de ensaio.
A aeronave poderá reduzir em até 80% os custos operacionais face a aviões de treino convencionais com motor de pistões. Se esta estimativa se confirmar em operação, a redução dos custos poderá permitir às escolas de aviação aumentar a utilização das suas frotas e reduzir o custo da formação de pilotos.
A formação de novos pilotos é um dos desafios estruturais que a indústria aeronáutica enfrenta. De acordo com a previsão mais recente da Boeing, publicada em 2026, a aviação comercial mundial necessitará de cerca de 674.000 novos pilotos entre 2026 e 2045. Esta procura deverá resultar tanto da expansão da frota comercial como da necessidade de substituir profissionais que abandonem o setor.
Nos EUA, uma das etapas mais exigentes da formação de pilotos destinados à aviação comercial é a acumulação das horas de voo necessárias para obter um certificado de Airline Transport Pilot (ATP). Embora a Federal Aviation Administration (FAA) exija 250 horas para o certificado de piloto comercial, as regras aplicáveis à operação de companhias aéreas abrangidas pelo Part 121 estabelecem, em regra, requisitos de 1.500 horas para o ATP.
Segundo o El Confidencial, a idade também constitui um fator de renovação geracional no setor. Nos EUA, as companhias aéreas certificadas ao abrigo do Part 121 não podem empregar pilotos como pilotos de linha aérea depois dos 65 anos, embora a FAA não estabeleça uma idade máxima geral para todos os pilotos.
A redução dos custos operacionais resulta, entre outros fatores, da simplicidade do sistema de propulsão elétrico, que elimina vários componentes característicos dos motores de pistões e reduz a necessidade de determinadas operações de manutenção.
A empresa afirma que o eFlyer 2 poderá ter custos operacionais até 80% inferiores aos de aeronaves de treino convencionais, como o Cessna 172.
O primeiro voo foi realizado a 24 de setembro a partir do Centennial Airport, perto de Denver, no estado norte-americano do Colorado, aos comandos do piloto-chefe de ensaios da Bye Aerospace, Elliot Seguin. O voo permitiu uma avaliação inicial das características de manobrabilidade, das características aerodinâmicas e do desempenho dos sistemas da aeronave, além da recolha de dados para as fases seguintes da campanha de ensaios.
O voo foi realizado pelo primeiro protótipo em configuração destinada aos ensaios de certificação. A campanha de testes deverá prosseguir com uma expansão progressiva antes da conclusão do processo de certificação pela FAA.
A empresa salientou que o eFlyer 2 deverá proporcionar mais de duas horas de autonomia de missão e recarregar em menos de 30 minutos. Esta prevê ainda uma utilização de seis ou mais saídas de treino por dia e por aeronave. Caso estes valores se confirmem em condições reais de operação, o reduzido tempo de recarga poderá permitir às escolas de voo aumentar a utilização diária das aeronaves.
O voo inaugural marca o início formal do programa de testes de voo do eFlyer 2, um passo indispensável para que a Bye Aerospace possa avançar para a certificação da FAA e, posteriormente, para as entregas aos clientes.
De momento, não existem prazos oficiais definidos para as primeiras entregas comerciais do eFlyer 2. A Bye Aerospace partilhou com a Aviation International News um roteiro orientativo que inclui uma campanha intensiva de testes com duração de aproximadamente 24 meses a partir deste primeiro voo com o protótipo de série e a entrega aos clientes em meados ou no final de 2028.
(ZAP)
