Ao longo dos últimos anos, o Shifter dedicou-se a pensar na interseção entre a Inteligência Artificial e diversas áreas — da tradução à acessibilidade, do conhecimento à democracia e ao trabalho. Chegou a altura de pensar no jornalismo, e estão todos convidados.
Há poucos temas que tenham tido o efeito da Inteligência Artificial na sociedade global. Embora em algumas instâncias o entusiasmo seja comparado ora à internet, ora às criptomoedas, ora a outra tecnologia de ponta qualquer, o caso da Inteligência Artificial é particular. E isso deve-se sobretudo, à forma como quer seja ou não realmente inteligente, o potencial revolucionário da IA se tornou numa profecia auto-confirmatória. Agora já não se trata de olhar para o futuro e tentar antecipar grandes mudanças provocadas pela IA. Quer queiramos quer não, a IA transforma os nossos dias, todos os dias. E o tempo para a debater é agora.

É por isso que, nos dias 26 e 27 de setembro, o Shifter organiza a primeira edição do Inferência, um encontro dedicado à relação entre Inteligência Artificial, Jornalismo e Direitos de Autor, no Unicorn Stage, no Beato Innovation District. Ao longo de dois dias, o Inferência pretende ser o espaço para pensar as transformações que a Inteligência Artificial está a provocar no ecossistema da informação. Mais do que um evento para dar a conhecer o nosso pensamento sobre Inteligência Artificial, é uma conferência para conhecer o pensamento plural de quem todos os dias trabalha ou é impactado pela tecnologia. Um ponto de encontro para que as diversas partes envolvidas, direta ou indiretamente, possam debater; para que juntos nos possamos aproximar de respostas sobre o futuro que coletivamente queremos.
No campo do jornalismo, particularmente, as mudanças provocadas pela IA já são muitas. Numa altura em que os órgãos de comunicação social dependem susbtancialmente das redes sociais e dos motores de busca, os resumos de IA tornam ainda mais difícil chegar aos leitores. Uma nova tecnologia de alta complexidade é um novo quebra-cabeças para redações precárias, obrigadas a lidar e digerir informação que simplesmente não têm tempo de compreender. No meio de tudo isso, a ameaça da substituição dos jornalistas por chatbots ou agentes de IA, ou da apropriação dos dados gerados pelo seu trabalho, cria ainda maior sensação de instabilidade. E uma sensação de inevitabilidade. Mas no Shifter acreditamos que não tem de ser assim, e que o primeiro passo é criar o espaço para o pensamento coletivo.
Numa altura em que o espaço público está fragmentado, polarizado e demasiado acelerado, convidamos para o mesmo espaço dezenas de profissionais dos media de diversas organizações, investigadores na área da comunicação, profissionais da Inteligência Artificial e políticos. Entre os oradores já confirmados estão Daniel Moura Borges, Diogo Matos, Eduardo Santos, Flávia Brito, Flávio Nunes, G. C. Viegas, João Gabriel Ribeiro, Kénia Nunes, Margarida Davim, Maria João Faísca, Mariana Mortágua, Mário Figueiredo, Nuno Artur Silva, Paulo Lopes Silva, Rúben Tiago Pereira, Salomé Leal e Vilma Reis, entre outros nomes a anunciar.
São dois dias de workshops, debates, keynotes e entrevistas ao vivo, com convidados do panorama nacional e internacional, que pretendem deixar uma marca para o futuro e que, por isso, darão origem a uma publicação — não só com o resumo das conversas, mas também com contributos do público presente no evento, que será convidado a partilhar as suas perspetivas.
Organizado pelo Shifter, o Inferência conta nesta primeira edição com o apoio da Visapress, Unicorn Factory Lisboa / Beato Innovation District, Institut français, Goethe-Institut, Fundo Cultural Franco-Alemão, Well Read, Casa Capitão, CENJOR, OberCom e Lisboa Para Pessoas. A entrada, quer na conferência, quer nos workshops, é gratuita mediante inscrição. O programa e os convidados confirmados podem ser conhecidos em inferencia.shifter.pt. E estão todos convidados a juntar-se a nós para esta reflexão.

