Há um unicórnio espacial europeu com fábrica em Coimbra

By | 21/09/2026

Portugal está a construir satélites e quase ninguém reparou.

A fabricante britânica de satélites Open Cosmos fechou esta segunda-feira uma ronda de financiamento de 300 milhões de euros, e entrou no clube dos unicórnios europeus. Uma das quatro unidades de produção da empresa fica em Coimbra, onde começa a ganhar forma uma pequena indústria portuguesa de satélites.

A operação, com investidores maioritariamente europeus, faz da empresa o mais recente unicórnio espacial do continente, nota a SatNews.

Não foi divulgado o valor da avaliação da empresa. Mas, segundo o New York Times, ficou avaliada em cerca de 2 mil milhões de dólares. Não é um unicórnio. São dois.

Ao contrário de muitas do setor, esta não vive apenas de capital de risco. A Open Cosmos vai em cinco anos seguidos de crescimento com lucro e mais de 370 milhões de dólares em contratos assinados nos últimos três anos e meio. Só no ano passado terá contratualizado cerca de 175 milhões de dólares, diz o jornal.

Portugal é uma das quatro localizações centrais da empresa, a par do Reino Unido, Espanha e Grécia. A fábrica de Coimbra, instalada no Instituto Pedro Nunes, emprega 50 pessoas — e quer chegar às 100.

A empresa planeia investir 50 milhões de euros no país, um compromisso já assumido em 2025 que esta ronda vem acelerar, segundo fonte oficial citada pelo ECO.

A ligação a Coimbra nasce da compra, em julho de 2025, da about:blank, uma startup portuguesa de conectividade a partir do espaço fundada em 2023 e incubada no mesmo Instituto Pedro Nunes. E não está sozinha: no mesmo espaço trabalha a Neuraspace, que usa inteligência artificial para gerir o tráfego de satélites em órbita e evitar colisões. Uma constrói satélites, a outra impede que se choquem.

Há, ainda assim, um senão. Para chegar à órbita, a Open Cosmos depende da SpaceX e de outros operadores — e o próprio fundador, Rafel Jorda Siquier, admite ao NYT que a “escassez de lançamentos” é o grande estrangulamento do negócio.

Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, vê no reforço de investimento a confirmação de que o país “reúne condições de talento, infraestrutura e enquadramento para acolher atores globais do setor”.

Enquanto a atenção se vira para os foguetões de Elon Musk, o mapa espacial europeu ganha um novo protagonista. Com morada em Coimbra.

(ZAP)