As antigas televisões de tubo de raios catódicos (CRT) ganharam fama de serem aparelhos duradouros. Atualmente, ainda existem pessoas que televisores CRT com várias décadas de funcionamento.
Um estudo publicado em 2015 na revista Waste Management, baseado em dados relativos a televisores descartados na Suécia, encontrou uma vida útil média e mediana de cerca de 15 anos para os televisores CRT analisados, em comparação com cerca de seis anos para os televisores LCD/LED.
O mesmo estudo verificou que mais de 40% dos televisores LCD/LED analisados foram descartados nos primeiros cinco anos, contra cerca de 20% dos CRT. Isto não significa, porém, que esses aparelhos tenham avariado.
Muitos televisores eram provavelmente ainda funcionais quando foram substituídos. A queda dos preços, a procura por ecrãs maiores, as alterações estéticas e o aparecimento de novas funcionalidades e tecnologias contribuíram para encurtar o período de utilização destes televisores.
De acordo com o BGR, uma televisão CRT possui circuitos relativamente complexos, incluindo sistemas de alimentação, deflexão, processamento de vídeo e áudio e circuitos de alta tensão.
A principal diferença em relação às Smart TVs modernas é que uma CRT é essencialmente analógica e não depende de um sistema operativo, de aplicações, de serviços online ou de hardware computacional avançado.
As Smart TVs modernas integram processadores, memória, armazenamento, conectividade de rede e plataformas de software. Isto acrescenta novas possibilidades de falha e, sobretudo, novas formas de obsolescência. Um televisor pode continuar fisicamente funcional, mas perder compatibilidade com determinadas aplicações ou deixar de receber atualizações.
As condições de utilização também influenciam a longevidade de qualquer aparelho eletrónico. O número de horas de funcionamento, a temperatura ambiente, a ventilação, a acumulação de pó, a humidade e a exposição a condições ambientais adversas podem acelerar o envelhecimento dos componentes. Estes fatores aplicam-se tanto às CRT como aos televisores modernos.
E depois há a “obsolescência programada”, que é a suspeita de que algumas marcas fabricam produtos para se estragarem mais rapidamente, seja pela escolha de materiais, pelo uso de componentes mais baratos ou até pela pressa em lançar novidades.
Existe, contudo, a obsolescência tecnológica. A rápida evolução dos padrões de transmissão, das plataformas de streaming, das interfaces e das funcionalidades pode fazer com que um aparelho relativamente recente pareça ultrapassado, mesmo continuando a funcionar.
As CRT foram produzidas durante décadas e existiu uma ampla rede de técnicos familiarizados com a sua reparação. Atualmente, porém, essa vantagem diminuiu consideravelmente.
Existem menos técnicos especializados, muitas peças específicas já não são fabricadas e os equipamentos de diagnóstico tornaram-se mais difíceis de encontrar. Além disso, a reparação de uma CRT envolve circuitos de alta tensão e pode ser perigosa sem formação adequada.
Do ponto de vista ambiental, contudo, as CRT apresentam desvantagens. O tubo de raios catódicos contém grandes quantidades de vidro e pode conter chumbo. Por esse motivo, exigem processos específicos de recolha, tratamento e reciclagem.
Além disso, as CRT são geralmente menos eficientes energeticamente do que os televisores LCD modernos. A maior durabilidade de um aparelho não significa, por si só, que tenha menor impacto ambiental.
Os televisores CRT apresentavam, em muitos casos, uma vida útil de utilização superior à dos primeiros televisores de ecrã plano e que a sua arquitetura, por não depender de software e de plataformas digitais, os tornava menos suscetíveis a determinados tipos de obsolescência tecnológica.
Por fim, a longevidade de um televisor depende não apenas da tecnologia utilizada, mas também da qualidade da construção, dos componentes, das condições de utilização, da possibilidade de reparação e da duração do suporte de software.
(ZAP)
