É possível prever a evolução futura do glaucoma a partir de uma simples fotografia do olho tirada na primeira consulta.
O glaucoma é uma doença silenciosa e progressiva do nervo ótico — a estrutura que liga o olho ao cérebro e transporta as imagens que vemos. O principal fator de risco é o aumento da pressão intraocular, que, se não for tratado, destrói as células responsáveis pela visão, levando à cegueira irreversível. Há cerca de 250 mil doentes em Portugal.
A equipa internacional de investigadores envolveu João Barbosa Breda, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), e ainda especialistas de Bélgica, Singapura, Áustria, Finlândia, Alemanha, França e China.
O novo estudo mostra que uma tecnologia baseada em inteligência artificial (IA) deteta precocemente quais os doentes com glaucoma que correm maior risco de perda de visão no futuro.
Ou seja, a IA ajuda a prevenir cegueira provocada por glaucoma; é capaz de predizer o risco de progressão futura da doença a 2 e 5 anos.
E consegue prever a evolução futura do glaucoma a partir de uma simples fotografia do olho tirada na primeira consulta. Mais concretamente, uma fotografia do nervo ótico numa única consulta serviu para prever o ritmo de progressão futura e a agressividade do glaucoma.
Nesta análise, os investigadores treinaram o modelo de IA com 161.827 imagens do nervo ótico de 13.913 doentes.
O modelo permite adotar mais cedo um plano terapêutico mais intenso para determinados doentes e usa mais recursos e consultas nos casos em que se antecipa que o ritmo de progressão será mais acentuado.
Espera-se que a implementação deste modelo, atualmente em avaliação, permita “detetar os casos mais agressivos atempadamente, otimizar recursos e adotar tratamentos mais assertivos desde uma fase precoce”, continua João Barbosa Breda, em comunicado.
(ZAP)
