As empresas estão a ter cada vez mais dificuldades em convencer os seus clientes de que mais ecrãs nos automóveis são um motivo convincente para pagar um preço mais elevado.
Praticamente todas as grandes marcas automóveis estão a instalar ecrãs cada vez maiores nos painéis de instrumentos dos seus veículos, que muitas vezes se estendem muito além da área do condutor e incluem também o passageiro dianteiro.
No entanto, muitos utilizadores parecem não atribuir grande valor a essa tecnologia. Como demonstra um novo estudo realizado pela empresa de estudos de mercado J.D. Power, os proprietários de veículos do ano-modelo de 2026 mostram pouco entusiasmo por algumas tecnologias mais visíveis nos interiores dos automóveis
Dos 68 mil proprietários inquiridos pela J.D. Power, mais de um terço afirmou nunca ter sequer tentado utilizá-lo, enquanto apenas 6% disseram utilizá-los em todas as viagens. A J.D. Power constatou ainda que os ecrãs dos passageiros estão entre as tecnologias com maior número de problemas reportados.
Alguns veículos equipados com estes ecrãs apresentaram também taxas mais elevadas de problemas relacionados com o sistema de infoentretenimento no estudo de qualidade inicial da empresa.
Segundo o Futurism, as tecnologias automóveis mais populares, entre as 40 analisadas, eram aquelas que mais facilmente passam despercebidas, como a ignição inteligente e o sistema de climatização inteligente.
No fundo da classificação encontravam-se os ecrãs dedicados ao passageiro dianteiro, que parecem ter pouco impacto positivo na experiência dos proprietários.
“A tecnologia que os clientes mais valorizam é, muitas vezes, aquela de que mal se apercebem porque simplesmente funciona”, disse Doron Hikry, diretor de Customer Success da J.D. Power, num comunicado que acompanhou o estudo.
Para além dos ecrãs dedicados aos passageiros, os proprietários também não ficaram particularmente impressionados com os sistemas de assistência à condução de Nível 2+, que permitem condução mãos-livres em determinadas condições, embora continuem a exigir a atenção e a responsabilidade do condutor.
No estudo, a J.D. Power constatou que os proprietários avaliaram os sistemas de assistência de Nível 2 de forma mais positiva que os sistemas de Nível2+, tanto em em termos de execução como de experiência global.
Apesar de os sistemas de Nível 2+ terem registado ligeiramente menos problemas, não proporcionaram uma experiência global melhor.
Os resultados sugerem, assim, que os consumidores não rejeitam necessariamente a tecnologia nos automóveis. O que parecem valorizar mais são funcionalidades que simplificam a utilização do veículo sem exigir atenção constante ou acrescentar complexidade à experiência de condução.
Para os fabricantes, a conclusão poderá ser menos ecrãs e mais tecnologia que funciona. Em vez de acrescentar funcionalidades visíveis para tornar os interiores mais sofisticados, poderá ser mais útil desenvolver sistemas intuitivos e fiáveis capazes de resolver problemas reais sem aumentar a carga de interação para o condutor.
(ZAP )
