OpenAI perde líder de centros de dados na 13ª saída de executivos do ano

By | 29/08/2026

Segundo avançou o TechCrunch, Chris Malone, o responsável pelos centros de dados da OpenAI, abandonou a empresa na última semana. Esta demissão sublinha o momento de forte rotação na cúpula diretiva da marca, especialmente numa fase em que o desenvolvimento de infraestruturas domina a estratégia global de inteligência artificial.

Malone chegou à empresa em março do ano passado, após uma passagem de quase cinco anos pela Meta e de mais de uma década na Google. A sua entrada ocorreu pouco tempo depois do anúncio do Projeto Stargate, uma iniciativa de 500 milhões de dólares focada na construção de infraestruturas tecnológicas promovida pela administração Trump. A empresa é considerada uma parceira central neste esforço, trabalhando lado a lado com a Oracle, Nvidia, SoftBank e Microsoft.

Reorganização interna afasta Chris Malone da liderança

A justificação para a saída prematura do executivo não é totalmente clara. Em comunicado, a empresa explicou que efetuou uma reorganização recente na sua infraestrutura para suportar a dimensão e velocidade do trabalho, assegurando que mantém uma equipa com forte capacidade técnica para executar os planos definidos.

Com esta reestruturação, avançada pelo Wall Street Journal, Malone deixou de reportar diretamente a Greg Brockman, presidente da OpenAI, e passou a responder perante o vice-presidente Sachin Katti, que assumiu a liderança do grupo. Atualmente, a estratégia dos centros de dados está nas mãos de várias chefias, com Uday Ruddarraju a liderar a equipa, Brent Mayo responsável pelo programa de construção e Spas Lazarov no comando da engenharia.

Vaga de saídas acumula baixas de peso na estrutura

A saída de Malone não é um caso isolado e junta-se a uma onda de mais de uma dúzia de saídas este ano em lugares críticos. Uma contabilização do Business Insider coloca o total de abandonos de 2026 nas 13 ocorrências, sem envolver funcionários juniores.

Há duas semanas, a diretora de receitas, Denise Dresser, foi substituída ao fim de apenas oito meses no cargo. Dois dias antes desse anúncio, Brad Lightcap encerrou a sua longa passagem como diretor de operações para iniciar um novo projeto. Cerca de um mês antes, Fidji Simo renunciou ao cargo de líder de produto por motivos de doença crónica. O mesmo aconteceu com líderes de outras áreas operacionais, como Chloé Bakalar na secção de ética, Bill Peebles no gerador Sora e Kate Rouch na gestão de marketing. A própria divisão dedicada a prevenir riscos catastróficos da inteligência artificial foi dissolvida recentemente.

Preparação para a bolsa levanta dúvidas sobre rentabilidade

A atual direção tem tentado desvalorizar o êxodo de talento. Greg Brockman argumentou que a intensa atenção mediática sobre a empresa leva a que todas as saídas sejam escrutinadas com um rigor invulgar no setor.

A transição constante na liderança surge numa fase decisiva de auditoria à reputação corporativa, com o mercado a avaliar a listagem pública inicialmente esperada para este ano, mas que se encontra adiada para 2027. O escrutínio em torno da marca prende-se com suspeitas de sobravorização, à medida que os custos da infraestrutura e dos centros de dados ofuscam as atuais margens de lucro no mercado.

(TT)