Adam Mosseri nega ocultação de dados sobre impacto do Instagram nos jovens

By | 30/08/2026

O responsável do Instagram, Adam Mosseri, foi a primeira grande figura executiva a testemunhar no recente julgamento que opõe a Meta a procuradores-gerais de dezenas de estados norte-americanos. Durante o depoimento prestado em tribunal, o líder da rede social assegurou ser uma “novidade” que elementos da equipa jurídica tivessem instruído funcionários para limitar as estatísticas sobre a segurança dos adolescentes apresentadas à direção.

A ação judicial acusa a empresa de conceber intencionalmente funcionalidades para viciar os utilizadores mais jovens, ignorando investigações internas sobre os riscos para a saúde mental. O processo pode resultar em sanções financeiras que atingem os 1,4 biliões de dólares, além de forçar mudanças estruturais no funcionamento das plataformas digitais.

Apagamento de dados em apresentações internas

Em causa está um documento interno elaborado por designers do Instagram em julho de 2023. O relatório indicava que conteúdos relacionados com suicídio, automutilação e perturbações alimentares registavam uma audiência proporcionalmente 2,5 vezes maior entre os adolescentes do que entre os adultos. As publicações classificadas como “não recomendáveis” para menores apresentavam também uma taxa de visualização 1,5 vezes superior nessa faixa etária.

Mensagens divulgadas durante a audiência revelaram que um advogado da Meta orientou a equipa a remover estes indicadores do documento para “limitar a exposição” de Mosseri a essa informação. Em tribunal, o executivo garantiu que nunca participou em conversas para moderar o seu próprio acesso a dados e defendeu que o papel dos advogados passa unicamente por assegurar o cumprimento da lei e a precisão factual dos documentos.

O diretor de design de produto, Francesco Fogu, confirmou ter ficado surpreendido com a instrução para omitir os números dos diapositivos, esclarecendo que os dados acabaram por ser transmitidos verbalmente e permaneceram acessíveis através de ligações nos relatórios. Fogu acrescentou que a apresentação funcionou como o catalisador para a criação das contas de adolescentes na plataforma.

Ferramentas de pausa com fraca adesão

A ferramenta “Fazer uma pausa”, concebida para sugerir a interrupção da navegação, foi outro dos pontos sob escrutínio. Dados da Meta mostram que apenas 1,8% dos utilizadores ativaram inicialmente a funcionalidade após o lançamento em 2021. Relatórios de antigos cientistas de dados apontaram taxas de adesão ainda mais reduzidas entre adolescentes no ano seguinte, situadas entre os 0,165% e os 0,2%.

Questionado sobre a reduzida utilização destas salvaguardas, Mosseri sublinhou que a funcionalidade foi significativamente melhorada e que as contas para menores de 16 anos passam agora a ter limites de tempo ativos por predefinição. O líder da plataforma lembrou também que apenas 1 em cada 50 utilizadores publica fotos ou vídeos na rede, o que equivale a uma taxa de participação de 2%. O julgamento prossegue com a audição de novos testemunhos, estando prevista a comparência do presidente executivo Mark Zuckerberg.

(TT)