Economistas do Banco Central Europeu alertam para correção bolsista nos gigantes da IA

By | 21/08/2026

Um grupo de cinco economistas do Banco Central Europeu alerta para a probabilidade de uma correção significativa nas avaliações bolsistas das empresas tecnológicas associadas à IA. Numa análise publicada no blog da instituição, os especialistas sustentam que, mesmo no cenário em que a tecnologia corresponda a todas as expetativas operacionais, a cotação das grandes empresas cresceu a um ritmo muito superior ao dos seus lucros reais.

O estudo recorda que revoluções tecnológicas anteriores, como os caminhos de ferro, a eletricidade, o rádio e a própria vaga da internet durante a bolha dot-com, seguiram uma trajetória semelhante. Em todas essas etapas, a atração de capital massivo acelerou os mercados muito além dos resultados financeiros imediatos. A NVIDIA surge como o exemplo mais evidente desse fenómeno, tendo multiplicado o seu valor de mercado por cerca de 20 vezes desde 2022 devido ao domínio na infraestrutura de processamento.

O impacto da dependência financeira na Europa

O risco de uma desvalorização acentuada nas chamadas “Sete Magníficas” — grupo que junta Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, NVIDIA e Tesla — ultrapassa as fronteiras de Wall Street. Os agregados familiares da zona euro detêm cerca de 440 mil milhões de euros expostos diretamente a ações tecnológicas norte-americanas, sobretudo através de fundos de investimento e fundos cotados em bolsa (ETFs). A esta exposição somam-se as carteiras das companhias de seguros e dos fundos de pensões europeus.

Uma queda expressiva na cotação destas empresas corre o risco de desencadear resgates em massa nos fundos de investimento. Para dar resposta a estes pedidos de reembolso, os gestores seriam forçados a vender ativos, alimentando uma espiral descendente que afetaria o sentimento geral dos investidores do lado europeu do Atlântico.

Menos margem de manobra para mitigar a queda

A análise assinala uma diferença crítica face ao colapso do setor tecnológico no início dos anos 2000: a margem de manobra das autoridades financeiras é agora significativamente menor. Os bancos centrais e os governos dispõem de espaço reduzido para amortecer um eventual choque através de descidas agressivas das taxas de juro ou de grandes pacotes de estímulo orçamental.

Embora o artigo reflita a perspetiva individual dos cinco investigadores e não constitua uma posição oficial do Banco Central Europeu ou do Eurosistema, o aviso destaca o desafio enfrentado pelos aforradores na Europa. O entusiasmo à volta da transformação digital convive com valorizações de mercado vulneráveis a qualquer ajustamento na confiança dos investidores.

(TT)