FCC quer proibir marcas suspeitas de venderem drones da DJI camuflados

By | 23/07/2026

A Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) pretende banir os produtos de várias empresas suspeitas de comercializarem drones e câmaras da DJI sob novas marcas e designs alterados. De acordo com o que avançou o The Verge, a agência norte-americana planeia proibir a importação e a comercialização de equipamentos de nove empresas distintas: Cogito, Fikaxo, Lyno Dynamics, Skyhigh Tech, Spatial Hover, SZ Knowact, WaveGo, Xtra e XAG. A entidade reguladora justifica a medida afirmando que estas marcas representam um “risco inaceitável” para a segurança nacional dos Estados Unidos.

Esta decisão surge uma semana após a FCC ter proposto a aplicação de multas de 25.000 $ (cerca de 23.000 €) a estas mesmas companhias, devido ao facto de terem evitado responder aos inquéritos oficiais da agência sobre se estariam a vender produtos integrados na chamada Covered List. Em dezembro de 2025, a comissão adicionou todos os novos drones e componentes fabricados no estrangeiro a essa lista de restrições, que proíbe a entrada e venda em território norte-americano por motivos de segurança nacional.

O cerco aos drones da DJI

A DJI foi a empresa mais afetada por este bloqueio e expressou formalmente a sua insatisfação à imprensa. Em declarações, a fabricante afirmou estar desapontada com a decisão da FCC e reiterou que as preocupações relativas à segurança dos seus dados não se baseiam em provas concretas, refletindo antes uma postura de protecionismo económico contrária aos princípios de um mercado aberto.

Embora as regras iniciais estipulassem que o banimento se aplicaria apenas a novos modelos lançados no mercado, a nova proposta da FCC vai mais longe e abrange “certos equipamentos previamente autorizados”. A agência suspeita que estes dispositivos sejam, na verdade, versões recondicionadas ou camufladas de modelos antigos da DJI.

Uma medida retroativa inédita

Caso avance, esta será a primeira vez que o regulador norte-americano utilizará um poder que atribuiu a si próprio em outubro de 2025, o qual permite banir retroativamente dispositivos de empresas que constem na lista de proibição.

A agência abriu agora um período de consulta pública com a duração de 30 dias. Durante este prazo, solicita que os cidadãos e especialistas apresentem provas específicas que possam sustentar ou refutar a conclusão de que as nove marcas listadas estão a comercializar hardware disfarçado da DJI. Para os utilizadores que importam tecnologia ou acompanham o mercado internacional de drones, este processo poderá ditar o desaparecimento definitivo destas marcas alternativas nos canais de venda habituais.

(TT)