Eis os bunkers portáteis: para sobreviver a grandes catástrofes, inundações e bombardeamentos

By | 10/07/2026

Uma nova geração de cápsulas de refúgio promete proteger contra ataques armados, explosões, incêndios, inundações e tsunamis. O projeto quer transformar a sobrevivência num produto de consumo.

Durante anos, os bunkers do fim do mundo foram sobretudo uma extravagância de milionários: refúgios subterrâneos com cinemas, jacuzzis e garagens, comprados por quem podia gastar milhões para sobreviver ao apocalipse.

Mas a ansiedade do apocalipse deixou de ser exclusiva dos ultra-ricos.

A empresa francesa Momentum Technologies apresentou na VivaTech 2026, que decorreu no mês passado, em Paris, as suas cápsulas Lifepods — refúgios de emergência amovíveis, que permitem aos ocupantes sobreviver quando as infraestruturas convencionais deixam de funcionar.

As Lifepods não são estruturas fixas, como os abrigos tradicionais: podem ser transportadas, colocadas em contentores, empilhadas e, em alguns casos, até transportadas de helicóptero.

Estas cápsulas são estanques, resistentes a balas, protegem contra explosões, e incorporam resistência térmica, ventilação autónoma e sistemas de sobrevivência integrados.

A empresa apresentou dois modelos das suas Lifepods. A B-01 tem capacidade para duas pessoas e foi concebida para terra firme, procurando resistir a ameaças balísticas, efeitos de explosões, incêndios e ambientes degradados.

A W-01, por sua vez, é uma cápsula flutuante concebida para inundações, imersão marítima, tsunamis e desastres climáticos. Segundo a empresa, tem capacidade máxima para até 4 adultos e 4 crianças, estas sentadas ao colo dos adultos.

Um terceiro modelo, Q01, desenhada para “proteger os ocupantes durante sismos, derrocadas estruturais e desastres relacionados com a instabilidade dos edifícios”, está ainda em desenvolvimento.

Estas cápsulas são construídas com uma tecnologia multicamada que integra várias linhas de proteção, que a empresa diz ser uma combinação de blindagem, abrigo climático e unidade de sobrevivência, fabricada com aços técnicos de alta resistência e materiais de isolamento específicos. Além disso, a sua arquitetura foi pensada para suportar cargas, facilitar o transporte e resistir a esforços mecânicos.

A B-01 já entrou em fase de produção. A empresa garante que os ensaios balísticos em painéis validaram o nível VPAM PM7, uma norma internacional que assegura resistência a um projétil de 5,56×45 mm a 950 m/s e a um de 7,62×51 mm a 830 m/s. Ainda assim, a empresa admite que as validações finais da cápsula completa estão previstas para junho e julho de 2026.

Além da resistência balística, a empresa está a trabalhar na proteção contra explosões, no isolamento térmico, na ventilação, na conectividade integrada e noutras funções de sobrevivência.

A W-01 foi pensada para cenários de inundação, submersão, tsunami e crises climáticas extremas. A cápsula tem um desenho hidrodinâmico passivo, ou seja, privilegia a estabilidade, a robustez e a fiabilidade mecânica sem depender de sistemas complexos de propulsão ou intervenção ativa.

“O mercado está agora a confirmar o interesse estratégico nas nossas soluções de resiliência de nova geração. O nosso objetivo é acelerar a industrialização, as certificações, a estruturação da produção e a implantação comercial das nossas cápsulas, transformando esta visibilidade internacional em utilizações operacionais concretas”, afirma Cédric Choffat, fundador e presidente executivo da empresa.

A industrialização da sobrevivência

A proposta da Momentum Technologies surge num momento em que muitas pessoas procuram novas medidas de sobrevivência que as protejam perante crises como apagões ou guerras. Mas não é a única, nota o El Confidencial.

Na água, o rival mais claro das Lifepods é a Survival Capsule, uma esfera patenteada concebida para tsunamis, furacões, tornados, tufões ou sismos. A sua abordagem centra-se sobretudo na sobrevivência a desastres naturais, com várias capacidades e uma narrativa muito ligada à evacuação costeira e à resistência a impactos e à água. O preço pode chegar aos 20.000 euros por uma cápsula básica de dois lugares.

 

A empresa ainda não tornou públicos os preços destas cápsulas, mas toda a sua comunicação aponta para um produto de nicho, mais próximo de um investimento em infraestruturas de segurança do que de um aparelho de consumo individual.

O próximo passo da Momentum Technologies é demonstrar que estas cápsulas não são apenas um protótipo vistoso, mas uma solução certificada, fabricável e realmente utilizável em zonas de crise. Se o conseguir, poderá abrir um novo nicho no mercado da sobrevivência.

Caso contrário, ficará como mais um exemplo de tecnologia que prometia muito nas feiras tecnológicas e que, como tantas outras, acabou por não sobreviver.

(ZAP)