A Europa entrou finalmente na corrida aos robôs humanóides

By | 08/07/2026

Inaugurado em Schiedam, perto de Roterdão, o Humanoid Application Center quer acelerar a adoção de robôs humanoides na Europa, numa área dominada pela China e pelos Estados Unidos.

Num edifício baixo, instalado num parque empresarial cinzento em Schiedam, nos arredores de Roterdão, robôs humanoides brancos e de linhas elegantes circulam de um lado para o outro, acompanhados por um cão robótico cinzento a executar truques típicos de um cão.

Bem-vindos ao Humanoid Application Center: um polo inaugurado na quinta-feira para reunir empresas, investigadores e técnicos, com o objetivo de reduzir o enorme atraso da Europa na robótica face aos Estados Unidos e à China.

A tecnologia dos robôs humanoides está a avançar a uma velocidade vertiginosa, ainda mais impulsionada pela inteligência artificial, afirmou o diretor-executivo do centro, Evert Jaap Lugt.

“Daqui a cinco anos, já não se conseguirá distinguir um ser humano de um robô se estivermos, digamos, a cinco metros de distância”, disse Lugt, de 66 anos, numa entrevista à AFP,  enquanto humanoides se deslocavam rapidamente atrás de si.

Lugt prevê um futuro em que entes queridos falecidos serão substituídos em casa por “robôs de companhia” humanoides, com aparência e comportamento semelhantes aos da pessoa que morreu, mas dotados de supercérebros alimentados por IA.

O centro pretende aproximar empresas e técnicos, para tirar partido dos robôs humanoides na resolução de problemas no setor empresarial.

Niels Langenhuizen, empresário do imobiliário, disse à AFP que planeia introduzir o primeiro robô humanoide numa das suas obras até ao final do ano.

A sua empresa constrói casas pré-fabricadas numa tentativa de aliviar a crise da habitação que afeta gravemente os Países Baixos, mas Langenhuizen afirmou que está limitado por depender apenas de trabalhadores humanos.

“Enquanto dependermos de trabalho manual, nunca conseguiremos produzir 24 horas por dia, 7 dias por semana, e nunca chegaremos às 100.000 casas por ano”, disse, referindo-se à meta do Governo neerlandês.

“Precisamos de humanoides para conseguir acelerar este processo, tornar a habitação mais acessível, mais flexível e mais rápida”, afirmou Langenhuizen, de 41 anos.

Lugt disse que o objetivo do HAC é “dar o tiro de partida” a uma reação europeia no domínio da robótica, uma área que considera dominada pela China.

Na China, é possível ver robôs de todas as formas e tamanhos em muitos locais, de hotéis a centros comerciais e fábricas. O país representou 85% das instalações mundiais de robôs humanoides no ano passado, segundo o banco Barclays.

“A Europa está praticamente ausente, como sempre, em todas estas novas tecnologias. E isto é verdadeiramente assustador. Porque está em causa o futuro dos modelos económicos da nossa sociedade”, afirmou Lugt.

“Estamos atrasados. Por isso, a única oportunidade que provavelmente temos é olhar para as aplicações e também para a adoção desta tecnologia. Talvez seja aí que possamos assumir a liderança”, conclui.

(ZAP)