Dos 0 aos 100 km/h em 0,4 segundos: nova moto-foguete movida a água bate recorde de velocidade

By | 02/07/2026

Com uma caldeira de 120 litros e vapor a 260 °C, Graham Sykes levou a sua Force of Nature a uma aceleração extrema — que recupera uma tecnologia antiga para bater recordes no asfalto.

Uma moto-foguete movida a vapor de água voltou a demonstrar que esta tecnologia, associada durante décadas a locomotivas e centrais elétricas, ainda pode atingir números extremos no asfalto.

O engenheiro britânico Graham Sykes levou a sua máquina, a Force of Nature, dos 0 aos 100 km/h em apenas 0,4 segundos.

O teste decorreu no circuito Santa Pod Raceway, em Bedfordshire, Inglaterra, durante um festival de aceleração em que Sykes e a sua equipa planearam uma única arrancada com precisão quase cirúrgica.

A cena, descrita pela CNET a partir da própria pista, combinou expectativa, risco e uma nuvem de vapor que foi expelida pelos enormes tubos traseiros da moto quando o sistema de propulsão foi ativado.

À primeira vista, a Force of Nature é uma mota algo invulgar. A carroçaria longa e afilada, as duas rodas e as grandes saídas traseiras respondem a uma função muito concreta: libertar de uma só vez a pressão gerada numa caldeira de 120 litros.

A água é aquecida por um queimador até cerca de 260 °C, criando a energia necessária para impulsionar o veículo para lá dos 320 km/h.

O coração técnico desta moto a vapor é precisamente o componente que Sykes decidiu não fabricar na sua oficina. Segundo explicou o próprio piloto e engenheiro, a caldeira foi produzida por uma empresa especializada em recipientes sob pressão para as indústrias nuclear, petrolífera e do gás.

A razão é a segurança: “Se explodisse, não seria só eu a ficar ferido ou morto“, afirmou Sykes. “Seriam também todas as pessoas à minha volta“.

O resto do veículo foi desenvolvido quase integralmente pelo próprio Graham Sykes, mecânico de profissão e há anos obcecado com a ideia de construir uma verdadeira moto-foguete.

A inspiração, contou, veio da tentativa de Evel Knievel de saltar o desfiladeiro do rio Snake, nos anos 70, com um foguete movido a água sobreaquecida. “Sempre quis pilotar uma moto-foguete”, disse.

“Mas ninguém me ia perguntar: ‘Graham, queres pilotar a minha moto-foguete?’, por isso a única forma de o fazer era construir uma“.

O próximo objetivo do engenheiro é baixar ainda mais o tempo e aproximar-se de uma passagem de quatro segundos nos 402 metros.

(ZAP)