Se tens o hábito de mandar vir pequenas coisas, como capas para o telemóvel ou roupa de sites como a Temu, Shein ou AliExpress, é melhor preparares a carteira. É que depois de a lei ter mudado para abrir exceções apenas para produtos de baixo valor, a “borla” fiscal nas compras extra-comunitárias tem os dias contados.
Isto porque, a partir do próximo dia 1 de julho de 2026, as regras da União Europeia vão mudar de forma radical, e o resultado prático vai ser exatamente o que ninguém queria. Compras mais caras e processos de entrega mais lentos. É como anular toda a evolução que houve nos últimos tempos relativamente a este tipo de loja.
Porquê tudo isto? A Comissão Europeia e o Conselho da UE decidiram apertar o cerco para tentar proteger o comércio local. Por isso, a nova diretiva introduz uma taxa fixa aduaneira de três euros por tipo de produto.
Cuidado com o carrinho de compras nos sites chineses!

Portanto, antes de mais nada, esta nova taxa de 3 euros esconde uma rasteira monumental na forma como é cobrada. É que o valor não é por encomenda, mas sim por tipo de artigo (o chamado código pautal).
Ou seja, se mandares vir uma capa, pagas 3€ extra. Se mandares vier 10, pagas os mesmos 3€ extra. Mas, se mandares vir uma capa e um carregador, já vais pagar 6€ de taxa, porque são dois tipos de produto diferentes.
Nas redes sociais e fóruns de discussão como o Reddit, a indignação é total. Há quem argumente, e com razão, que para a Europa tentar ser competitiva face aos mercados externos, opta sempre pelo caminho mais fácil, que é castigar o bolso do cidadão comum com impostos.
A corrida aos armazéns europeus para fintar a UE?
Como é óbvio, nenhuma destas gigantes asiáticas vai querer perder o mercado europeu, que é simplesmente gigantesco. Muitas delas, como o AliExpress e a Temu, já se andam a antecipar a este cenário há algum tempo através da criação de armazéns logísticos dentro da própria União Europeia.
A estratégia passa por carregar estes armazéns comunitários com milhares de toneladas de stock antes de as novas regras entrarem em vigor. Se o produto for enviado de um armazém europeu diretamente para tua casa, tecnicamente conta como uma compra comunitária e ficas livre destas novas taxas alfandegárias. No entanto, convém abrir bem os olhos na hora de comprar, porque nem todos os artigos estão disponíveis nestes armazéns e a UE já avisou que vai estar muito atenta a esquemas de evasão fiscal à nova taxa.
Conclusão
Eu quero acreditar que estas plataformas se vão adaptar rapidamente com sistemas que filtrem a origem dos envios de forma clara, tal como fizeram na altura em que o IVA passou a ser obrigatório na origem. Caso contrário, fazer compras nestes sites vai passar a ser um autêntico tiro no escuro alfandegário.
Mas, é boa ideia ficar muito atento.
(Leak)
