Portugal participa em missão de “arqueologia cósmica” que promete revelar segredos galácticos escondidos

By | 17/06/2026

Há histórias escritas nas regiões mais ténues e quase invisíveis do Universo. E são precisamente essas histórias cósmicas que a missão ARRAKIHS pretende desvendar.

Tal como os arqueólogos procuram vestígios de civilizações antigas, os astrónomos querem agora investigar os “fósseis” cósmicos que contam a história das galáxias. Esse é o objetivo da ARRAKIHS, uma missão agora oficialmente adotada pela Agência Espacial Europeia (ESA), que deverá partir para o espaço em 2030 para estudar o chamado “Universo de baixo brilho superficial”.

O nome ARRAKIHS resulta da expressão inglesa “Analysis of Resolved Remnants of Accreted Galaxies as a Key Instrument for Halo Surveys”. Na prática, trata-se de uma missão concebida para estudar os halos estelares difusos que envolvem galáxias como a Via Láctea. Estas estruturas extremamente ténues funcionam como verdadeiras “marcas ancestrais” da evolução galáctica, preservando vestígios de fusões, interações e processos que moldaram as galáxias ao longo de milhares de milhões de anos.

Os astrónomos acreditam que muitas das respostas para algumas das maiores questões da cosmologia moderna – incluindo o papel da matéria escura na formação das galáxias – estão escondidas nestas regiões pouco exploradas. O problema é que a sua fraca luminosidade torna a observação particularmente difícil com os instrumentos atualmente disponíveis.

A ARRAKIHS foi desenhada precisamente para ultrapassar esse desafio. Graças à sua elevada sensibilidade, permitirá observar estruturas até agora praticamente invisíveis, abrindo uma nova janela para compreender como as galáxias cresceram e acumularam massa ao longo da história do Universo.

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A missão resulta de uma vasta colaboração internacional que reúne mais de 250 cientistas e engenheiros de sete Estados-membros da ESA, liderados por Espanha, e conta ainda com contributos de instituições e empresas de vários países da Europa, América do Norte e Ásia.

Portugal terá um papel de relevo nesta aventura científica através do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), que integra o consórcio internacional da missão. A participação nacional é coordenada por Polychronis Papaderos, investigador do IA e da Universidade do Porto.

Entre as responsabilidades portuguesas destaca-se a liderança das operações dos instrumentos e do Centro de Dados Científicos da missão, uma função central para a gestão e exploração dos resultados científicos. As equipas nacionais serão também responsáveis pelo desenvolvimento de software que integrará o sistema de processamento de dados da ARRAKIHS, reforçando competências em processamento avançado de imagem, desenvolvimento de software científico e análise de grandes volumes de dados.

A indústria portuguesa terá igualmente uma contribuição essencial, assumindo a responsabilidade de desenvolver e fabricar o sistema de isolamento multicamadas do telescópio espacial, um componente crítico para proteger o satélite das temperaturas extremas do espaço e garantir a estabilidade necessária para observações de elevada precisão.

A adoção oficial pela ESA representa o culminar de vários anos de trabalho científico e tecnológico. O projeto ultrapassou com sucesso as principais etapas de validação, incluindo a revisão preliminar do instrumento e a conclusão do estudo de definição da missão

(Tesapo)