Meta remove código secreto de reconhecimento facial na app dos seus óculos inteligentes

By | 11/06/2026

A Meta lançou uma atualização de software que removeu por completo um conjunto de linhas de código adormecidas associadas a um algoritmo de reconhecimento facial. A situação foi avançada pela Wired, que tinha descoberto inicialmente esta ferramenta oculta, apelidada internamente de Name Tag. O código suspeito encontrava-se na aplicação Meta AI, responsável por gerir as funções centrais dos óculos e por efetuar o emparelhamento com os telemóveis dos utilizadores através de Bluetooth.

Na prática, a mesma aplicação indispensável para o funcionamento básico do acessório estava preparada para recolher e analisar o rosto de qualquer pessoa com quem o utilizador se cruzasse na rua. O mecanismo adormecido foi detetado no dia 4 de junho, contendo algoritmos capazes de converter as imagens captadas em identificadores biométricos guardados no próprio dispositivo. Já no dia 5 de junho, uma nova versão do software eliminou o código do sistema.

O rasto do projeto Name Tag

O desenvolvimento desta tecnologia não é uma novidade absoluta nos corredores da tecnológica. Em fevereiro, o The New York Times avançou que a Meta trabalhava para integrar reconhecimento facial nos seus dispositivos visuais, uma fuga de informação que já mencionava a designação Name Tag. As linhas de código agora descobertas e removidas seriam o resultado prático desses esforços de engenharia.

O funcionamento detetado sugere que o objetivo passaria por ajudar os utilizadores a identificar de forma simples pessoas que já tivessem conhecido no passado. Embora a funcionalidade pudesse parecer útil para utilizadores mais esquecidos, a abordagem representa uma solução invasiva para um dilema social comum, uma vez que a maioria das pessoas prefere que lhe recordem o nome diretamente em vez de ver a sua imagem processada por uma câmara montada nuns óculos.

Polémicas e privacidade sob pressão

Os óculos inteligentes da empresa, desenvolvidos em parceria com marcas da Luxottica como a Ray-Ban e a Oakley, têm acumulado críticas e incidentes de segurança. Em março, a tecnológica enfrentou um processo coletivo nos EUA depois de uma investigação jornalística na Suécia revelar que trabalhadores no Quénia estavam a rever gravações íntimas captadas pelos óculos sem o conhecimento dos proprietários. Adicionalmente, influencers têm utilizado o equipamento para gravar e assediar pessoas na via pública, e em dezembro uma mulher foi acusada de destruir os óculos de um passageiro no metro de Nova Iorque.

Em declarações prestadas na segunda-feira, o vice-presidente de comunicações da Meta, Andy Stone, afirmou que a funcionalidade fazia apenas parte de um esforço piloto e que a empresa não tomou qualquer decisão final sobre a sua implementação. Apesar da justificação oficial, o código chegou a ser escrito, revisto e enviado num produto comercial ativo. A remoção rápida e a emissão imediata de esclarecimentos públicos indicam que a marca reconhece os riscos associados a este tipo de ferramentas invasivas.

(TT)