Primeira “vacina universal” concebida por IA testada em humanos

By | 11/06/2026

A vacina experimental pretende atingir um vasto leque de vírus, incluindo os responsáveis por surtos mortais como a SARS, a MERS e a covid-19. Os investigadores esperam que este tipo de vacina possa, um dia, ajudar a travar futuras pandemias.

Uma vacina dirigida a um conjunto alargado de vírus, concebida com recurso a inteligência artificial, teve um efeito “modesto” no sistema imunitário num pequeno ensaio inicial, segundo um novo estudo, recentemente publicado no Journal of Infection.

Esta é a primeira vez que uma vacina cujo princípio activo foi inteiramente concebido por IA foi testada em seres humanos, afirmaram esta sexta-feira investigadores da University of Cambridge, no Reino Unido.

A vacina experimental pretende funcionar como uma “vacina universal”, protegendo as pessoas contra vários vírus que já provocaram surtos mortais, incluindo os da SARS, da MERS e da covid-19. Os investigadores esperam que este tipo de vacina possa, um dia, ajudar a travar futuras pandemias.

Transformámos o desenvolvimento de vacinas, que deixou de ser reactivo para passar a estar preparado para o futuro”, afirmou Jonathan Heeney, investigador de Cambridge e co-autor do estudo, em comunicado.

Actualmente, as vacinas contra vírus como os da gripe e da covid-19 têm de ser actualizadas regularmente para atingir as estirpes mais recentes.

Mas a nova vacina pretende gerar uma resposta imunitária capaz de proteger contra muitos agentes patogénicos, incluindo alguns que circulam entre animais selvagens e que poderão, no futuro, saltar para os seres humanos.

“Isto significa que podemos escapar ao ciclo constante de perseguir as variantes do vírus que circulam entre humanos e de actualizar as vacinas para tentar acompanhá-las, como um cão a correr atrás da própria cauda”, explicou Heeney.

Para conceber o componente activo da vacina, designado antigénio, os investigadores usaram um algoritmo de aprendizagem automática treinado com dados genéticos de coronavírus sarbecovírus registados em todo o mundo.

Quase 40 pessoas participaram no ensaio entre o final de 2021 e 2023. No estudo, os investigadores reconheceram que a persistência da pandemia de covid-19 complicou os resultados.

Tratou-se de um ensaio de fase 1, destinado a testar se uma intervenção é segura e bem tolerada, e não a medir de forma completa a sua eficácia. Não foram registados efeitos secundários graves.

Ainda assim, a vacina teve apenas um impacto “modesto” no sistema imunitário dos participantes. Os dados recolhidos durante o ensaio “não sustentam um aumento robusto, induzido pela vacina, das respostas de anticorpos para além dos níveis já existentes”, notam os autores do estudo.

Um ensaio de fase 2, com mais participantes, deverá agora apurar melhor até que ponto a vacina poderá oferecer protecção.

(ZAP)