Ecrãs flexíveis que dobram e esticam sem se partir: o condutor já foi criado em Coimbra

By | 31/05/2026

O novo condutor é transparente e ultra-resiliente. Pode mudar o futuro de wearables, ecrãs táteis e recolha de energia.

É um dos principais desafios da eletrónica moderna: desenvolver filmes condutores que são simultaneamente transparentes e elásticos, capazes de se esticar, dobrar e acompanhar o movimento humano sem comprometer o seu desempenho elétrico.

Agora, investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveram tecnologia para criar ecrãs flexíveis que dobram e esticam sem se partir.

O novo condutor é transparente e ultra-resiliente. Pode mudar o futuro de wearables, de ecrãs táteis e de tecnologias de recolha de energia.

A base deste estudo é uma arquitetura nanométrica tridimensional em forma de giroide, preenchida com metal líquido, lê-se em comunicado da FCTUC.

Esta estrutura geométrica avançada permite que o material suporte deformações extremas, incluindo alongamentos, torções e compressões, mantendo uma condutividade elétrica estável e eficiente.

O novo condutor ultrapassa as limitações dos condutores tradicionais – que tendem a partir ou degradar-se quando sujeitos a esforços mecânicos repetidos.

Tem uma elasticidade elevada, mas também combina duas características raramente conciliáveis: elevada condutividade elétrica e transparência ótica, essenciais para aplicações em tecnologias de visualização e interfaces inteligentes.

“Os ecrãs, touchscreens e células solares atuais continuam a ser fundamentalmente frágeis. O nosso objetivo é criar eletrónica macia, resiliente e sustentável, capaz de resistir a dobragens, alongamentos, impactos e até perfurações sem perder funcionalidade”, explica Mahmoud Tavak, líder do estudo.

“Os resultados incluem dispositivos eletroluminescentes capazes de esticar até 600%, enquanto o próprio condutor transparente suporta deformações até 1400%, o que significa que pode esticar até 14 vezes o seu comprimento original”, descreve Tavak.

Para demonstrar que são aplicáveis em contextos reais, os cientistas integraram o novo condutor em dispositivos optoeletrónicos e sistemas de eletroluminescência.

Para o principal autor do estudo, este avanço representa “um passo decisivo rumo a uma eletrónica verdadeiramente integrada no quotidiano”, aproximando a tecnologia da flexibilidade e adaptabilidade dos sistemas biológicos.

(ZAP)