Binance volta a ser usada para financiar o Irão apesar das sanções internacionais

By | 27/05/2026

Apesar das sanções internacionais e da condenação do seu antigo diretor-executivo, a Binance continua a ser o canal de eleição do Irão para contornar restrições financeiras. Segundo uma investigação aprofundada revelada pelo The Wall Street Journal, apoiada por relatórios avançados pelo The New York Times, uma extensa rede conseguiu movimentar quantias exorbitantes através da plataforma de criptomoedas até dezembro de 2025.

Milhões movimentados nas barbas dos sistemas de segurança

O principal arquiteto desta operação foi o iraniano Babak Zanjani, que se autodenomina um “operador antissanções”. Dados internos da própria corretora mostram que Zanjani gerou transações no valor de 850 milhões de dólares (cerca de 800 milhões de euros). A este montante soma-se um valor impressionante de 1,7 mil milhões de dólares que a mesma rede poderá ter feito circular.

O aspeto mais alarmante é que, embora os sistemas da empresa tenham detetado a atividade suspeita, a conta principal permaneceu ativa durante 15 meses, estando ainda operacional em janeiro de 2026. Especialistas avaliaram que cerca de metade do montante inicial, perto de 425 milhões de dólares, serviu para financiar diretamente o regime militar iraniano.

A resposta da corretora e a pressão política

A corretora defende-se, afirmando que a esmagadora maioria destas operações não tem qualquer ligação com os seus serviços diretos e garante que não permite transações com carteiras sancionadas, atuando sempre que as deteta. No entanto, recusou prestar esclarecimentos detalhados sobre este caso específico, tendo mesmo avançado com um processo por difamação contra o diário norte-americano no início deste ano devido a relatórios anteriores.

O caso já despertou a atenção política nos Estados Unidos, com o senador democrata Richard Blumenthal a abrir um inquérito oficial. O objetivo é averiguar a inação da corretora perante os avisos dos seus próprios investigadores internos, que já tinham classificado as contas como uma rede de lavagem de dinheiro para financiar o regime.

Ligações perigosas no universo das criptomoedas

O ecossistema de contorno de sanções vai além destas movimentações simples. A Nobitex, uma corretora iraniana, tem estado ligada à rede blockchain BNB Chain e também à Tron, criada por Justin Sun. Curiosamente, tanto Sun como a gigante das criptomoedas são fortes apoiantes da World Liberty Financial, a empresa de criptomoedas de Donald Trump.

Recorde-se que, em 2023, o cofundador Changpeng Zhao cumpriu pena de prisão devido a falhas graves no bloqueio destas sanções associadas ao Irão, tendo recebido um perdão presidencial de Trump no ano passado. Para além disso, a corretora assumiu o pagamento de uma multa de 4,3 mil milhões de dólares perante as autoridades norte-americanas e foi alvo de investigações adicionais por violar sanções impostas à Rússia.

(TT)