Nova tecnologia promete reduzir a turbulência durante o voo e melhorar a eficiência aerodinâmica. Para já, foi testada num avião não tripulado.
A indústria aeronáutica alemã deu um passo importante rumo a voos mais estáveis com um inovador avião equipado com asas capazes de mudar de forma, que foi recentemente testado na Alemanha pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR).
Ao aumentar a eficiência aerodinâmica, esta tecnologia promete reduzir de forma significativa o risco de turbulência em voo, que causa frequentemente dissabores aos passageiros dos voos comerciais.
O projecto, conhecido como MorphAIR, foi testado com o avião experimental não tripulado Proteus, através do qual os engenheiros avaliaram um sistema capaz de modificar a geometria das asas em tempo real. A chave está na adaptação do perfil aerodinâmico às condições variáveis do ar durante o voo.
Segundo explicou Martin Radestock, do Instituto de Sistemas Leves do DLR, “a asa adaptável pode mudar de forma em pleno voo, o que lhe permite ajustar-se de forma ideal a diferentes condições de voo”.
Esta abordagem procura não só garantir maior estabilidade, mas também um controlo mais preciso da aeronave, realça o Interesting Engineering.
O desenho incorpora materiais compósitos reforçados com fibra e um sistema inovador denominado HyTEM (Hyperelastic Trailing Edge Morphing), que permite deformar o bordo de fuga da asa de forma contínua, sem interrupções nem juntas mecânicas visíveis.
Este comportamento contínuo transforma toda a superfície alar num elemento ativo, capaz de responder de imediato à turbulência, a variações no fluxo de ar ou a mudanças nas condições de voo, melhorando tanto a eficiência como a segurança.
O sistema assenta num controlo de voo assistido por inteligência artificial, que deteta desvios face ao comportamento esperado da aeronave e ajusta automaticamente o modelo, permitindo manter a estabilidade mesmo perante falhas parciais na estrutura.
Durante os testes, os investigadores desenvolveram ainda um método para reconstruir a distribuição da pressão na superfície da asa recorrendo a um número reduzido de sensores. Esta informação é processada quase instantaneamente, para adaptar a forma da asa a qualquer perturbação.
(ZAP)
