O mercado de componentes tecnológicos enfrenta um abalo repentino. A OpenAI, liderada por Sam Altman, gerou uma crise entre os seus principais parceiros de hardware ao recuar na compra de uma quantidade massiva de memória DRAM que inicialmente pretendia reservar para as suas infraestruturas.
A origem desta tempestade perfeita começou com o anúncio de uma nova tecnologia da Google, de acordo com os dados técnicos partilhados no Google Research. A este desenvolvimento junta-se a fase de contenção de custos da OpenAI, que deixou os principais fornecedores globais, como a Micron, a SK Hynix e a Samsung, numa posição bastante frágil no mercado de ações.

A ilusão do acordo mundial
Em outubro de 2025, a Samsung e a SK Hynix assinaram cartas de intenção com a OpenAI para o projeto Stargate. Na altura, os relatos indicavam o interesse da empresa de inteligência artificial em adquirir até 900 mil pastilhas de silício por mês, o que representaria cerca de 40% de toda a capacidade mundial de produção de DRAM.
O anúncio impulsionou imediatamente as ações da Samsung em 4,7% e da SK Hynix em 12%. No entanto, o mercado percebe agora que estes documentos consistiam apenas em intenções de compra, e não em pedidos vinculativos firmados a longo prazo, mudando radicalmente o cenário para os fabricantes.
O impacto da tecnologia TurboQuant
A queda vertiginosa das ações das empresas de memória tem um grande catalisador: a tecnologia TurboQuant da Google. Esta inovação permite reduzir o consumo de memória DRAM em tarefas de inteligência artificial até seis vezes, além de conseguir acelerar as cargas de trabalho numa unidade NVIDIA H100 em até oito vezes.
A premissa de que a indústria consegue agora executar operações complexas com muito menos recursos de memória fez disparar os alarmes entre os investidores, alterando a perceção de procura infinita por hardware que dominava o setor.
Cortes internos e pânico na bolsa
A situação agravou-se com a recente estratégia da OpenAI de reduzir despesas operacionais. A tecnológica encerrou recentemente o Sora, a sua plataforma de geração de vídeo, e um chatbot destinado a adultos. Esta mudança de postura confirma que as intenções de compra colossais de DRAM não se vão materializar, deixando um volume gigantesco de memória no ar.
O resultado é um cenário de fuga por parte dos investidores, num verdadeiro movimento de “salve-se quem puder” para assegurar lucros. Nas últimas 24 horas, as ações da Micron caíram 10%, acumulando uma perda de 20% numa semana. A SK Hynix regista quebras semanais de 19%, e a Samsung de 12,52%, isto apesar de todas as empresas terem reportado receitas recorde recentemente.
Embora analistas da TrendForce apontem para uma correção nos preços aplicados aos retalhistas, indicando que a tendência contratual permanece relativamente firme, a forte venda de ações contrasta de forma extrema com o otimismo de há apenas duas semanas, quando a indústria debatia a entrada num superciclo de memória suportado por contratos fixos de três a cinco anos.
(TT)
