Val Kilmer foi “ressuscitado” e é padre em novo filme

By | 24/03/2026

Ícone de Hollywood morreu no ano passado e não chegou a filmar qualquer cena de As Deep as the Grave, mas vai aparecer no grande ecrã, graças a IA generativa.

O ator Val Kilmer morreu no ano passado, na sequência de um quadro de pneumonia, mas foi recriado com recurso a inteligência artificial (IA) para protagonizar, a título póstumo, o filme As Deep as the Grave.

De acordo com a Variety, a decisão de “ressuscitar” o ator com tecnologia teve o apoio da família. Kilmer tinha sido escolhido em 2020 para integrar o elenco do filme, no papel de um padre católico, mas não conseguiu participar nas filmagens devido a complicações de saúde causadas por um cancro na garganta.

Já nessa altura, a empresa londrina Sonantic trabalhou com o ator para recriar quase dois minutos da sua voz numa demonstração online da tecnologia.

Com a aprovação da família, o realizador decidiu avançar com a ideia de usar inteligência artificial generativa para recriar o ator, que não chegou a filmar qualquer cena do projeto.

“A família dele não parava de dizer o quanto considerava este filme importante, e que o Val queria mesmo fazê-lo. Ele acreditava genuinamente que era uma história importante e queria ver o seu nome associado a ela. Foi esse apoio que me deu a confiança para dizer: ‘Ok, vamos fazê-lo’. Embora algumas pessoas o considerem controverso, era isso que o Val queria”, explicou Coerte Voorhees.

Tema polémico em Hollywood

A utilização de ferramentas de inteligência artificial em Hollywood é um tema bastante polémico, sobretudo quando são usadas para recriar ou manipular imagens e vídeos sem a presença de atores reais.

No caso de Val Kilmer, a Variety refere que a tecnologia combina imagens do ator em jovem com registos dos seus últimos anos de vida, muitos deles fornecidos pela própria família, para recriar a sua fisionomia. O áudio foi também treinado para simular a voz do artista.

Numa indústria cada vez mais preocupada com os efeitos da IA no setor, decisões como as tomadas pela equipa de As Deep as the Grave chegam praticamente condenadas à crítica. Afinal, há um debate intenso em Hollywood sobre esta matéria, devido a preocupações relacionadas com a perda de empregos e com a utilização, sem consentimento, da imagem dos atores em produções audiovisuais.

Segundo a família de Kilmer, o projeto foi desenvolvido com base nas diretrizes do SAG, o sindicato dos atores de Hollywood. Os herdeiros foram compensados pela recriação da imagem do ator no filme.

(ZAP)