WhatsApp passa a cobrar pelo envio de mensagens feitas por robôs de IA

By | 01/02/2026

A Meta começou a cobrar por respostas de chatbots no WhatsApp em mercados onde é obrigada a permitir esse tipo de serviço; a medida tem provocado debates regulatórios no Brasil e na Europa.

A Meta passou a exigir pagamento de desenvolvedores pelo uso de chatbots com inteligência artificial no WhatsApp em países onde reguladores proibiram a empresa de barrar essas ferramentas. A decisão intensifica o embate entre a companhia e autoridades de concorrência, abrindo uma nova frente de discussão regulatória.

Como funciona a cobrança

A empresa informou que irá tarifar a operação de chatbots de IA no WhatsApp em mercados onde é legalmente obrigada a permitir esse tipo de integração. A Itália foi o primeiro país afetado, depois que o órgão de concorrência local solicitou, em dezembro, a suspensão do bloqueio a bots desenvolvidos por terceiros.

A cobrança entra em vigor em 16 de fevereiro e incide sobre respostas que não sejam mensagens pré-configuradas. O valor por interação pode elevar significativamente os custos de operação para desenvolvedores cujos bots mantêm milhares de conversas diárias com usuários.

Atualmente, o WhatsApp já adota um modelo de cobrança para empresas que utilizam sua API em mensagens padronizadas, como campanhas de marketing, autenticação ou notificações de pagamento e entrega. A mudança amplia esse modelo para incluir respostas geradas por inteligência artificial.

Segundo a Meta, sempre que for legalmente obrigada a disponibilizar chatbots de IA por meio da API do WhatsApp Business, a empresa aplicará tarifas às companhias que optarem por oferecer esses serviços na plataforma. A própria empresa admite que a iniciativa pode servir de referência para outros mercados, caso novas investigações a forcem a adotar postura semelhante.

Por que Brasil e Europa entraram no radar regulatório

Em outubro, a Meta anunciou que pretendia bloquear todos os chatbots de IA de terceiros no WhatsApp, alegando que seus sistemas não foram projetados para suportar respostas automatizadas em larga escala e estavam sendo sobrecarregados.

A empresa sustentou que o WhatsApp não deve funcionar como um canal de distribuição para serviços de IA, defendendo que o acesso ao mercado para essas soluções deveria ocorrer por meio de aplicativos próprios, sites ou parcerias diretas, e não pela plataforma de mensagens.

A decisão levou autoridades regulatórias da União Europeia, da Itália e do Brasil a investigarem possíveis práticas anticompetitivas.

No caso brasileiro, a Superintendência-Geral do Cade chegou a suspender preventivamente as novas regras, mas a 20ª Vara Federal do Distrito Federal revogou a liminar. A partir disso, a Meta passou a orientar desenvolvedores a não oferecerem bots de IA no WhatsApp para usuários no país. Empresas como OpenAI, Perplexity e Microsoft já haviam anunciado a retirada de seus bots da plataforma, redirecionando usuários para aplicativos e sites próprios.

(Engenhariae)