Explosão nas vendas de robôs humanoides: alta de 480% e China no topo

By | 17/01/2026

As vendas de robôs humanoides ganharam tração inédita em 2025, marcando uma virada relevante para esse segmento ainda emergente. De acordo com estimativas da consultoria Omdia, o número de unidades enviadas ao redor do mundo saltou para mais de 13 mil, quase cinco vezes acima do registrado no ano anterior. Apesar do avanço impressionante, o volume absoluto ainda é modesto se comparado a outros mercados consolidados da tecnologia.

Esse crescimento não foi distribuído de forma equilibrada. A China concentrou a maior parte da produção e das entregas, consolidando-se como o principal polo global do setor. Fabricantes chineses ocuparam seis das dez primeiras posições no ranking mundial, enquanto empresas dos Estados Unidos — como Tesla, Figure AI e Agility Robotics — tiveram presença limitada em termos de quantidade.

Domínio chinês se consolida

Entre os destaques está a AgiBot, startup sediada em Xangai, que respondeu sozinha por cerca de 5.168 robôs humanoides enviados em 2025, o equivalente a aproximadamente 38% do mercado global. Logo atrás aparece a Unitree Robotics, de Hangzhou, com cerca de 4.200 unidades distribuídas, garantindo participação próxima de 32%. A terceira posição ficou com a UBTech Robotics, de Shenzhen, que enviou em torno de mil robôs ao longo do ano.

Outras companhias chinesas, como Leju Robotics, Engine AI e Fourier Intelligence, completam a lista das líderes. Em conjunto, essas empresas evidenciam a vantagem da China em capacidade industrial, velocidade de produção e colocação rápida dos produtos no mercado. Segundo a Omdia, o crescimento das remessas em 2025 se aproximou de 480%, e a expectativa é que o volume anual chegue a 2,6 milhões de unidades até 2035.

Para a consultoria, os fabricantes chineses vêm redefinindo o padrão de escala do setor, ao alcançar milhares de unidades entregues em pouco tempo, o que abre caminho para produções anuais na casa das dezenas de milhares.

Por que os Estados Unidos ficaram para trás?

Enquanto a China acelerou, as empresas norte-americanas avançaram de forma bem mais cautelosa. A Tesla, por exemplo, enviou apenas cerca de 150 robôs humanoides em 2025, o que representa algo próximo de 1% do total global. Figure AI e Agility Robotics apresentaram números semelhantes, também limitados à casa das centenas.

Especialistas atribuem essa diferença a um conjunto de fatores estruturais. Na China, políticas públicas direcionadas, aportes robustos de capital estatal e privado e uma base industrial altamente preparada facilitaram a escalada da produção. Além disso, o governo chinês classificou a chamada “inteligência incorporada” — a aplicação de IA em corpos físicos — como área estratégica, acelerando ainda mais o desenvolvimento local.

O fator preço também pesa. A Unitree comercializa modelos básicos por cerca de US$ 6 mil (aproximadamente R$ 32 mil), enquanto a AgiBot oferece versões simplificadas por volta de US$ 14 mil (cerca de R$ 76 mil). Já o robô Optimus, da Tesla, segundo estimativas de Elon Musk, deve custar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil (algo entre R$ 108 mil e R$ 162 mil), e ainda não entrou em produção em larga escala.

Mesmo com a clara liderança chinesa, o mercado de robôs humanoides ainda está em estágio inicial. A própria Omdia ressalta que, apesar do ritmo acelerado de crescimento, os volumes atuais seguem relativamente baixos — um indicativo de que o setor ainda tem amplo espaço para expansão nas próximas décadas.

(Engenhariae)