Escassez de chips pode tornar celulares e notebooks menos potentes em 2026

By | 21/12/2025

O aumento nos custos de chips deve levar fabricantes a elevar preços, cortar especificações e registrar queda nas vendas de aparelhos em 2026.

O encarecimento acelerado dos componentes deve alterar profundamente o cenário dos eletrônicos de consumo a partir de 2026. A expectativa é de preços mais altos combinados com uma estagnação — ou até regressão — nas especificações técnicas de smartphones, notebooks e PCs. Um estudo recente da TrendForce aponta que os valores das memórias DRAM e NAND seguirão em forte alta ao longo do primeiro semestre do próximo ano.

A pressão sobre os custos já obriga fabricantes a recalcular estratégias para preservar margens de lucro. Segundo a consultoria, a resposta do setor tende a ocorrer em dois movimentos simultâneos: reajustes de preços no varejo e cortes no hardware oferecido, especialmente em modelos mais acessíveis.

Com parte significativa da capacidade produtiva direcionada ao abastecimento de servidores voltados à inteligência artificial, a projeção de crescimento nas remessas de dispositivos eletrônicos foi revisada para baixo. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda tem alimentado, inclusive, um novo termo popular na internet: “RAMagedom”, usado para descrever o medo de que computadores e smartphones se tornem caros e difíceis de montar ou comprar, em um cenário que lembra o período pós-pandemia.

Celulares mais caros e com menos memória

O impacto mais direto para o consumidor deve aparecer nos smartphones de entrada e intermediários. A evolução rápida da quantidade de memória RAM, vista nos últimos anos, tende a perder força de forma abrupta.

No segmento intermediário, aparelhos com 12 GB de RAM devem se tornar raros ou restritos a modelos premium. Já nos celulares básicos, o aumento dos custos pode levar fabricantes a recuarem para configurações com apenas 4 GB de RAM, anulando avanços recentes. Hoje, não é incomum encontrar modelos abaixo de R$ 1.700 com 6 GB ou mais, algo que pode deixar de ser padrão.

No Brasil, a Samsung já prevê reajustes entre 10% e 20% nos preços de smartphones das linhas mais acessíveis. A estimativa foi divulgada pelo vice-presidente sênior da empresa, Gustavo Assunção.

Mesmo entre os modelos topo de linha, a migração para 16 GB de RAM deve acontecer mais lentamente. A TrendForce destaca que o custo da memória está consumindo uma parcela cada vez maior do valor de produção, afetando até empresas com grande poder financeiro, como a Apple.

Fabricantes chinesas sob maior pressão

Outra análise, da Counterpoint Research, indica que as remessas globais de smartphones devem cair 2,1% em 2026. Com dispositivos mais caros, a demanda tende a recuar, sobretudo nos mercados mais sensíveis a preço.

O segmento de entrada aparece como o mais vulnerável. Marcas chinesas que trabalham com margens reduzidas, como Honor, Oppo e Vivo (Jovi no Brasil), devem sofrer quedas mais acentuadas nas vendas do que o previsto anteriormente. A dificuldade em manter preços competitivos pode desacelerar a troca de aparelhos em países emergentes.

PCs e notebooks também vão pesar no bolso

O cenário não é mais favorável para quem pretende comprar ou montar computadores. Diferentemente dos smartphones, reduzir a quantidade de RAM em notebooks não é uma opção viável, já que sistemas operacionais e softwares atuais exigem um mínimo de desempenho.

Com o Windows 11, máquinas com menos de 8 GB de RAM já apresentam limitações significativas, o que mantém configurações entre 8 GB e 16 GB como padrão. Sem espaço para cortes técnicos, os fabricantes devem repassar o aumento de custos diretamente ao consumidor.

De acordo com o site Tom’s Hardware, um executivo da Kingston revelou que os preços das memórias NAND — usadas em SSDs — já acumulam alta de 246% desde o primeiro trimestre de 2025. Como esses chips representam cerca de 90% do custo de produção de um SSD, novos reajustes no varejo são praticamente inevitáveis ao longo de 2026.

Empresas como Dell, Lenovo, HP, LG e Samsung já anunciaram revisões de preços que começam a valer entre o fim deste ano e o início de janeiro, reforçando a perspectiva de um mercado mais caro e menos generoso em especificações no futuro próximo.

(Engenhariae)