Disney autoriza Sora a usar as suas personagens (e investe mil milhões de dólares na OpenIA)

By | 14/12/2025

A Walt Disney vai investir mil milhões de dólares na OpenAI e permitir que a startup use personagens das franquias Star Wars, Pixar e Marvel no seu gerador de vídeo por IA, Sora. O acordo, considerado crucial, poderá remodelar a forma como Hollywood produz conteúdos.

Numa altura em que os gigantes dos media e produtores de conteúdo se encontram em litígio e com vários processos judiciais em curso relativos ao uso abusivo de conteúdos pelas empresas de Inteligência Artificial, a Walt Disney e a OpenAI chegaram a um acordo marcante.

Ironicamente, no âmbito do acordo, a Disney não apenas autoriza o uso dos seus conteúdos pela IA da OpenAI, como ainda paga por isso — sob a forma de um investimento de mil milhões de dólares na empresa de Sam Altman.

Segundo o The New York Times, o acordo anunciado esta quinta-feira pelas duas empresas representa um marco para Hollywood, que tem tentado avaliar os possíveis malefícios e benefícios da Inteligência artificial generativa.

A parceria de três anos é um passo decisivo na aproximação de Hollywood à inteligência artificial generativa, contornando as preocupações da indústria quanto ao impacto da IA nos empregos criativos e nos direitos de propriedade intelectual.

No âmbito do acordo de licenciamento, o Sora e o ChatGPT Images começarão, a partir do início do próximo ano, a gerar vídeos com personagens licenciadas da Disney, como o Mickey Mouse, a Cinderela e o Mufasa, os super-heróis da Marvel ou as icónicas personagens do universo Star Wars.

O acordo, que exclui quaisquer semelhanças físicas ou vozes de talentos, resulta a procura, ao longo de um ano, por parceiros em Hollywood por parte da OpenAI.

“Através desta colaboração com a OpenAI, iremos, de forma ponderada e responsável, alargar o alcance da nossa narrativa através de IA generativa, respeitando e protegendo os criadores e as suas obras”, afirmou no comunicado da Walt Disney o CEO da empresa, Bob Iger.

Segundo uma fonte com conhecimento do processo, a OpenAI tem estado a dialogar com a Disney e outros intervenientes de Hollywood ao longo do último ano na sua busca por parceiros.

Este movimento assinala uma mudança significativa na abordagem da Disney à IA: a empresa tinha decidido manter as suas personagens fora da aplicação Sora, numa altura em que a OpenAI esteva em negociações com várias empresas sobre a política de direitos de autor associada à ferramenta.

Em junho, a Disney e a Universal avançaram com um processo por violação de direitos de autor contra a Midjourney, empresa de geração de imagens por IA, devido à utilização de algumas das personagens mais conhecidas dos estúdios.

Como parte do entendimento com a OpenAI, uma seleção dos vídeos criados por utilizadores será disponibilizada para streaming no Disney+, o que vai permitir à plataforma beneficiar do crescente apelo dos vídeos em formato curto nas gerações mais jovens.

O conglomerado de media, cujo investimento na OpenAi é “minúsculo”, se considerarmos a valorização de 500 mil milhões da empresa de IA, ficou ainda com o direito de comprar no futuro participação adicional no capital da empresa que desenvolve o ChatGPT.

As duas empresas irão recorrer aos modelos da OpenAI para desenvolver novos produtos e experiências para clientes, incluindo para assinantes do Disney+, e a Disney irá implementar o ChatGPT para uso interno entre os seus colaboradores.

A parceria surge pouco depois de a Creative Artists Agency, principal agência de talentos de Hollywood ter criticado duramente a mesma tecnologia que a Disney agora adopta.

A agência, que representa milhares de actores, realizadores e músicos, afirmou em outubro que a OpenAI estava a expor os artistas a um “risco significativo” através do Sora, questionando se a empresa de IA acredita que os profissionais criativos “merecem ser compensados e creditados pelo trabalho que criam”.

(ZAP)