Não usam baterias de iões de lítio por questões de segurança. O zinco é a alternativa — passou nos testes e pode ser revolucionário.
Uma equipa de investigadores do Center for Advanced Materials Research (CIMAV), no México, desenvolveu uma bateria revolucionária de zinco-ar (ZAB) que continua a funcionar mesmo depois de ser perfurada, exposta a chamas ou completamente submersa em água.
“Não utilizamos baterias de iões de lítio devido às muitas preocupações de segurança associadas à inflamabilidade dos eletrólitos usados nesse tipo de tecnologia”, explicou Noé Arjona, investigador principal do centro, à Interesting Engineering.
No interior da célula, uma folha de carbono salpicada com átomos individuais de níquel substitui os elétrodos metálicos convencionais. Esta inovação reduz significativamente a quantidade de metal necessária, mantendo um elevado desempenho.
“Muitos metais também levantam preocupações de segurança quando usados em baterias”, acrescentou Arjona. “Grande parte dos materiais mais ativos consta na lista de materiais críticos. Por isso, quisemos usar o mínimo possível de metal”, afirma o investigador.
Para analisar o protótipo inovador a nível molecular, os autores do estudo publicado na ACS Applied Materials & Interfaces recorreram ao síncrotron Canadian Light Source (CLS) da Universidade de Saskatchewan, no Canadá.
“No Canadá há um grande problema em recarregar baterias a temperaturas muito baixas, como acontece com os veículos elétricos”, referiu o investigador. “A nossa tecnologia não sofre dos mesmos problemas em temperaturas muito baixas ou muito altas”.
“Além de ser mais seguro, o design da bateria também se manteve estável e eficiente mesmo sob temperaturas extremas. Não apresentou perda significativa de desempenho, quer estivesse exposta a calor intenso ou frio gelado”.
E acrescenta: “Se quisermos baterias altamente seguras, temos de as conceber com catalisadores de átomo único”. Arjona acredita que “este é o futuro do armazenamento de energia”.
A utilização de metais abundantes como o níquel em vez do lítio ou do cobalto poderá reduzir ainda mais os custos. A equipa está a explorar novas formas de tornar a bateria mais ecológica, incluindo a integração de componentes biodegradáveis.
(ZAP )
