Treinar IA com dados dos utilizadores: como funciona?

By | 01/10/2025

Se tem Facebook ou Instagram, os seus dados podem estar a ser utilizados para treinar a inteligência artificial da Meta. mas o que acontece, ao certo, e como se pode proteger?

A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente no nosso quotidiano, desde assistentes virtuais até sistemas de recomendação em redes sociais.

Porém, para que esses modelos funcionem corretamente, precisam ser treinados com grandes volumes de informação. Quando uma empresa afirma que vai treinar uma IA com dados dos utilizadores, isso significa que as interações, conteúdos e comportamentos registados nas plataformas podem ser utilizados para aprimorar os algoritmos.

Os dados obtidos dos utilizadores podem assumir diferentes formas. Incluem o conteúdo que cada pessoa publica, como fotos, vídeos, comentários e posts; informações de perfil, como idade, localização e língua; além de registos de comportamento, que englobam pesquisas, cliques, curtidas, histórico de compras e até conversas em aplicativos.

Também é comum que sejam utilizados dados de terceiros, ou seja, informações sobre si publicadas por outros utilizadores, mesmo que não tenha uma conta na plataforma.

Treino de IA

O processo de treino pode ocorrer de várias maneiras. Na aprendizagem supervisionada, a IA recebe dados já rotulados, como imagens de animais com identificação do que representam, aprendendo a reconhecer padrões específicos.

No caso da não supervisionada, os dados não têm rótulos e o sistema precisa de identificar sozinho as semelhanças e diferenças, organizando-os em grupos. Já na aprendizagem por reforço, a IA toma decisões e recebe recompensas ou penalidades, ajustando gradualmente seu desempenho.

Por que se usam dados de utilizadores

A principal razão é aprimorar a qualidade dos serviços oferecidos. Quanto mais representativos forem os dados, mais personalizados e relevantes se tornam os resultados.

Num e-commerce, por exemplo, a IA pode recomendar produtos de acordo com compras anteriores. No setor logístico, consegue prever rotas mais rápidas para entregas. Em centrais de atendimento, chatbots treinados em registos de suporte passam a responder com mais precisão às dúvidas frequentes.

Apesar das vantagens, o uso de dados pessoais para treinar IA gera preocupações em relação à privacidade, transparência e segurança. Informações sensíveis podem ser expostas se não forem anonimizadas corretamente. Além disso, muitas plataformas ativam por padrão o uso de dados para IA nas suas configurações, sem avisar de forma clara os utilizadores.

O caso da Meta

A Meta, dona do Facebook e Instagram, já enfrentou processos legais em diversos países por utilizar dados de utilizadores sem a devida transparência para treinar os seus modelos de IA. A prática envolvia recolher conteúdos, interações e informações de perfil para melhorar a capacidade dos algoritmos em personalizar serviços e recomendar conteúdos.

Problemas surgiram quando utilizadores não foram claramente informados ou não tiveram a opção de optar por não fornecer seus dados, gerando questões sobre a conformidade com legislações.

Como se pode proteger

Para reduzir riscos, é recomendável rever regularmente as configurações de privacidade de cada plataforma, estar atento às atualizações nas políticas de utilização de dados e evitar publicar informações muito sensíveis. Essas medidas ajudam a manter maior controle sobre o que é partilhado e a proteger a privacidade no ambiente digital.

Treinar uma IA com dados dos utilizadores significa transformar interações digitais em aprendizagem para algoritmos, permitindo melhorias em serviços e experiências personalizadas.

(Via:ZAP)