Atlanta vai ter o primeiro sistema de transporte público totalmente automatizado

By | 25/02/2026

O sul da área metropolitana de Atlanta está prestes a tornar-se casa de um projeto-piloto de demonstração para uma rede de transporte automatizado acessível ao público que utiliza veículos elétricos autónomos em vias dedicadas.

Um novo sistema da que a Glydways quer implementar em Atlanta (EUA) promete pôr fim ao “trânsito angustiante”, oferecendo uma capacidade semelhante à do comboio, sem os custos tradicionais nem os prazos de construção.

A empresa da Califórnia por detrás da tecnologia iniciou recentemente as obras do circuito-piloto. A via inicial de 0,8 km liga o ATL SkyTrain no Georgia International Convention Center à Gateway Center Arena, e assinala a estreia mundial do sistema Automated Transit Network da empresa.

Trata-se de um serviço público de teste gratuito com lançamento previsto para dezembro de 2026.

A empresa defende que as cidades precisam de “capacidade totalmente nova” — largura de banda de transporte adicional que não concorra com o que já existe.

“Pôr simplesmente veículos autónomos em estradas abertas não resolve realmente o congestionamento”, explicou Mark Seeger, co-CEO e fundador da Glydways, citada pela New Atlas.

“Em muitas cidades, piora a situação”, acrescentou.

A mesma revista detalha que a empresa já assinou acordos com a Roads and Transport Authority do Dubai e com o Abu Dhabi Investment Office, e manteve conversações com responsáveis em Tóquio, Florida, Califórnia e Nova Iorque.

Como funciona?

As pequenas cápsulas elétricas de passageiros da Glydways circulam em vias construídas de propósito, com as suas próprias faixas privadas — sem disputar espaço com carros nem ficar presas atrás de um camião do lixo.

O sistema é coordenado por software de IA para operar 24 horas por dia.

A ideia é que se peça uma viagem através de uma aplicação móvel, o que desencadeia a chegada do seu próprio veículo ou de um partilhado com o seu grupo, e depois viaja diretamente do ponto A ao ponto B sem quaisquer paragens intermédias.

A empresa afirma que o seu sistema à escala tem potencial para transportar 10.000 pessoas por hora através de uma via com apenas 2 metros de largura — igualando o débito do metro ligeiro, mas sem os enormes custos de infraestruturas nem os prazos de construção de uma década.

Além disso, a Glydways diz que a sua infraestrutura de via é implementada mais depressa e de forma mais barata do que os sistemas ferroviários tradicionais, embora a empresa não tenha divulgado custos de construção específicos para o piloto de Atlanta.

Como os veículos autónomos de passageiros operam em faixas dedicadas, podem circular a velocidades consistentes em pelotões apertados, algo impossível em tráfego misto.

O modelo económico da empresa também assenta em manter baixos os custos operacionais através da ausência de condutores, da utilização de propulsão elétrica e de manutenção mínima num sistema de via controlado.

A rota inicial do piloto de Atlanta servirá como campo de provas global do sistema.

Como refere a New Atlas, se funcionar, o modelo poderá estender-se a ligações aeroportuárias, rotas suburbanas de pendulares e outros corredores de tráfego intenso onde o comboio tradicional é demasiado caro.

“O que começa no sul da área metropolitana de Atlanta foi concebido para o mundo”, afirmou o diretor comercial da empresa, Chris Riley, num comunicado.

(ZAP)