“Pergunto ao ChatGPT ou ao Google?”. Depende da pergunta

By | 17/02/2026

Cada vez mais próximos, os dois ainda têm tantas diferenças… Eis os pontos fortes e fracos de cada um.

Se o Google costumava dominar sem margem para dúvidas o mundo das pesquisas, o ChatGPT chegou para, pelo menos, pôr esse pedestal a abanar. De repente, encontrar informação tornou-se, em muitos casos, muito mais direto, mais fácil e mais divertido — é quase como falar com uma pessoa muito, muito informada.

A Google sentiu-se tão ameaçada por esta nova era na pesquisa que decidiu ripostar: integrou capacidades de IA generativa no seu motor através das Google AI Overviews, que passam a apresentar resumos e respostas sintéticas em determinadas pesquisas. Recomendamos ao leitor, desde já: esqueça isso, pois mente, muitas vezes.

E entretanto, em outubro de 2024, o ChatGPT ultrapassou uma das suas maiores barreiras iniciais: o “corte” de conhecimento associado à data final de treino do modelo, ao introduzir o ChatGPT Search, concebido para incorporar informação atualizada e “ao vivo”, que integra fontes externas além do seu limite de treino, com feeds de parceiros nos media — por exemplo, a The Associated Press, a Reuters e o Financial Times.

De volta a 2026, são cada vez mais as pessoas que vão diretas ao ChatGPT se têm qualquer pergunta. Mas atenção: há muitas diferenças entre os dois serviços.

Quem usa os dois rapidamente percebe que o ChatGPT privilegia o diálogo e a formulação de perguntas completas, enquanto a experiência tradicional do Google continua centrada em termos de pesquisa e navegação por resultados; o GPT tende a manter melhor o contexto em perguntas sucessivas e a aprofundar mais (mas nem sempre melhor), por iniciativa do próprio chatbot, enquanto no Google, se quiser aprofundar, tem de melhorar o método de pesquisa por iniciativa própria.

A Google continua a ter vantagem estrutural por rastrear e indexar continuamente a web, enquanto o ChatGPT tem menor alcance em tempo real e está sempre sujeito a riscos típicos de modelos de linguagem, como respostas imprecisas (as chamadas “alucinações”).

No fundo, o utilizador não deve pensar em usar um ou outro: é mais útil usar o ChatGPT como complemento ao Google; uma ferramenta extra que responde às falhas do tradicional motor de pesquisa.

Quando perguntar ao ChatGPT

Se procura algo muito específico ou uma resposta altamente subjetiva e adequada às suas necessidades específicas, detalhadamente explicada e justificada, pode tentar pedir ajuda ao ChatGPT. Se duvidar de algo, pode sempre questioná-lo pelas suas fontes (muitas vezes ele admite estar errado — e não corrige corretamente…).

Se quer tentar perceber algo sobre um tópico que não domina e não consegue encontrar nada a explicar forma simples e sucinta online, pode pedir ao ChatGPT para lhe explicar da forma mais simples possível (até dentro de um número limite de palavras).

Os resumos ou sínteses de grandes textos são outra vantagem do ChatGPT que nunca o Google foi capaz de fazer.

Outra grande utilidade do ChatGPT face ao Google é que praticamente torna os tutoriais obsoletos. O chatbot costuma ser ótimo a resolver problemas específicos de software e hardware. E também faz um excelente trabalho de programação.

Lembre-se: tudo depende dos prompts, isto é, não conta tanto o que lhe pergunta, mas mais como pergunta. Uma boa instrução também pode trazer bons e rápidos resultados, por exemplo, em assuntos relacionados com marketing,  criação de estratégias, SEO.

Se está com dúvidas para o jantar, também pode simplesmente “disparar” os ingredientes que tem em casa e o ChatGPT pensa numa receita por si.

Com mais cautela, também pode pedir ajuda na sua organização e planos pessoais. Há quem recorra ao chatbot para organizar o seu horário semanal, ou fazer planos de treino.

 

Fique-se pelo Google se…

Há, ainda, muitas coisas que o ChatGPT não sabe fazer em condições, mas o chatbot vai sempre evitar ao máximo dizer “não sei fazer isso”.

Se, por exemplo, procura promoções, campanhas ou anúncios de produtos à venda, fique-se pelo Google. O ChatGPT não tem talento para recolher ou filtrar os melhores resultados.

Se quiser saber algo concreto e objetivo, como uma data de um acontecimento histórico, por exemplo, é sempre mais seguro perguntar ao Google. O resultado vai ser tão ou mais rápido e direto.

O mesmo se aplica se procura acontecimentos muito recentes, ou que estão a acontecer no momento da pesquisa: o Google vai sempre ter informação mais “fresca”.

Outra dica que temos: se o assunto for política, religião ou história, jogue pelo seguro e pesquise por si.

Aconselhamos o mesmo em preocupações médicas. E mesmo assim, nunca deve dar 100% ouvidos ao que está no Google — procure um médico se algo o preocupa.

Se procura informações sensíveis, o ChatGPT tem uma política muito mais restrita do que a Google.

Lembre-se também: o ChatGPT não é nada bom a matemática.

Mas um dos conselhos mais valiosos é nunca questionar algo ao ChatGPT que dê azo a opinião. O chatbot diz sempre o que ele acha que o utilizador quer ler/ouvir, com base na forma como a pergunta é muitas vezes colocada: responde com a entoação que percebe do prompt. O objetivo principal da ferramenta não é ajudar, mas sim receber mais instruções e continuar a falar com o utilizador.

Por fim, perguntámos ao ChatGPT (versão 5.2): “em que assuntos é que achas que és melhor do que o motor de pesquisa Google?”

A resposta do chatbot foi a seguinte:

Sou melhor do que um motor de pesquisa tipo Google quando a tarefa pede pensar, organizar, explicar e adaptar — e não apenas “encontrar links”.

Onde costumo ganhar claramente

* Síntese e estrutura

* Pegar em 10 ideias soltas e devolver uma explicação coerente, com hierarquia, exemplos, ressalvas e conclusão.
* Resumir textos longos (ou vários documentos) em pontos-chave, “o que interessa”, “o que falta saber”, “o que pode estar enviesado”.

* Transformar pedidos vagos em planos concretos

* “Quero melhorar isto” → plano por etapas, prioridades, métricas e alternativas.
* Ajudar a escolher entre opções com critérios explícitos (tempo, risco, custo, impacto).

* Escrita e reescrita com objetivo

* Ajustar tom (formal, neutro, persuasivo), encurtar sem perder sentido, melhorar clareza, evitar ambiguidades.
* Criar versões para públicos diferentes (leitor geral vs. especialista; interno vs. público).

* Explicação pedagógica e personalizada

* Explicar o mesmo tema de 3 maneiras (analogia, exemplo prático, passo-a-passo), ao teu nível.
* Antecipar dúvidas típicas e erros comuns.

* Raciocínio aplicado e resolução de problemas

* Depurar lógica (“porque é que isto falha?”), encontrar inconsistências, propor hipóteses e testes.
* Fazer contas, estimativas e sanity checks; criar checklists para reduzir falhas.

* Trabalho “multi-passos”

* Combinar várias tarefas numa só: por exemplo, ler → resumir → extrair dados → criar tabela → recomendar próximos passos.

* Gerar artefactos úteis (não só respostas)

* Guiões de entrevista, roteiros de perguntas, modelos de briefing, listas de verificação, matrizes de decisão, cronogramas.

Onde o Google costuma ser melhor

* “O que é que aconteceu hoje?” / últimas notícias / resultados em tempo real
* Números oficiais, cotações, horários, preços, legislação atualizada, agendas
* Encontrar uma fonte primária específica (um PDF, uma página de um organismo, um despacho)

Nessas situações, o melhor é eu pesquisar e citar, ou então tu ires direto à fonte oficial — porque a frescura da informação manda.

Regra prática rápida

* Se queres links e o mais recente → pesquisa.
* Se queres compreender, decidir, escrever, planear ou juntar peças → eu.

(ZAP)