Mentalista implantou um chip RFID na mão para fazer truques. Mas esqueceu-se da password

By | 11/12/2025

O ilusionista norte-americano “Zi the Mentalist” implantou um chip RFID na mão, para poder fazer “truques de magia” com smartphones e experiências com Bitcoins. Mas tudo correu mal, de mal a pior, incluindo o facto de o mágico se ter esquecido da password de acesso ao implante — que se tornou inútil.

Um mágico e biólogo molecular do Missouri confrontou-se com os limites do biohacking moderno depois de, acidentalmente, se ter trancado fora da tecnologia que tinha implantado no próprio corpo.

Zi Teng Wang, que atua com o nome artístico Zi the Mentalist, contou recentemente a experiência no seu Facebook, onde publicou uma imagem de raio-X onde se vê o microchip RFID qua há uns anos implantou na mão, entre o polegar e o indicador.

A experiência começou por ser uma mistura curiosa de performance artística com fascínio tecnológico, conta o Techspot.

O objetivo do chip era servir de adereço para truques de magia interativos; em teoria, quando um smartphone com leitor compatível era encostado à mão de Zi, o chip ativava certos efeitos “mágicos”.

Os implantes RFID, normalmente compostos por um minúsculo chip e uma antena encapsulados em vidro biocompatível, são alimentados sem fios por leitores externos e conseguem armazenar uma pequena quantidade de dados.

Neste caso, Zi programou o chip para desencadear eventos digitais — primeiro ao serviço dos seus números de “magia” em palco e, mais tarde, como plataforma para experiências técnicas.

Zi rapidamente percebeu, porém, as limitações práticas de usar um dispositivo RFID implantado em truques de magia. O gesto físico de orientar os espectadores, fazê-los mexer no telemóvel e tentar encontrar o ponto exato para ativar o leitor revelava-se pouco natural.

Além disso, muitos telemóveis trazem as funções RFID desativadas por defeito, ou têm dificuldade em detetar e comunicar com o chip através da pele. Resultado: a ilusão perdia tanto o encanto como a fiabilidade técnica, e o chip tornou-se inútil como adereço de magia.

Zi Teng Wang / Facebook

O chip RFID implantado na mão de Zi The Mentalist — tão inútil como uma varinha mágica

Sem desanimar, Zi continuou a fazer experiências. Primeiro, reprogramou o chip como uma carteira de Bitcoins, que também não serviu para nada; mais tarde, instalou-lhe o endereço de um meme no Imgur. Mas quando a plataforma alterou os seus URL, a imagem deixou de funcionar — e o chip tornou-se, de novo, inútil.

Finalmente, o derradeiro problema: quando Zi tentou, mais uma vez, reprogramar o dispositivo, apercebeu de que entretanto se tinha esquecido da palavra-passe necessária para alterar os dados.

Os chips modernos de RFID e NFC permitem, muitas vezes, definir proteções de escrita ou palavras-passe para impedir alterações não autorizadas — mas, se nos esquecemos da password, essas credenciais podem tornar o dispositivo praticamente impossível de aceder ou atualizar.

Desbloquear o chip exigiria testar, em ciclo, sucessivas combinações possíveis numa abordagem de “força bruta” — um processo que poderia demorar dias ou semanas, com um leitor RFID permanentemente encostado à mão.

Ao contrário do que acontece com muitos gadgets de consumo, os chips implantáveis colocam desafios únicos de recuperação: demasiadas tentativas falhadas podem bloquear o dispositivo de forma definitiva, sem qualquer forma prática de o repor.

Naturalmente, Zi pode sempre optar por desistir do seu chip, desinstalá-lo, e instalar um chip novo. Mas… para fazer exatamente o quê?

(ZAP)