China alerta para risco de uma nova “bolha” no sector dos robots humanoides

By | 02/12/2025

A China tem vindo a apostar significativamente no desenvolvimento de robots humanoides, com várias empresas a apresentarem soluções nesta área. Apesar do peso que a robótica representa na economia do país, surgem novos alertas para o surgimento de uma “bolha”.

De acordo com a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a agência responsável por definir a estratégia económica da China, mais de 150 empresas chinesas estão a produzir robots humanoides muito semelhantes, o que pode saturar o mercado. 

Li Chao, porta-voz da agência, alertou numa recente conferência de imprensa para a necessidade de evitar que o crescimento acelerado do sector crie uma “bolha”, prejudicando os projetos e iniciativas de investigação e desenvolvimento. 

Segundo Li Chao, há já muito tempo que as indústrias mais tecnologicamente avançadas enfrentam o desafio de equilibrar o ritmo de crescimento contra o risco de possíveis “bolhas”, sendo este um problema que está agora a afetar o sector dos robots humanoides.

Como avança a Bloomberg, o alerta deixado pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma reflete a apreensão do governo chinês face ao investimento excessivo num sector frequentemente promovido como um dos maiores catalisadores da economia do país. 

O desenvolvimento e investimento em robots humanoides disparou no início do ano. O Partido Comunista da China já tinha apontado a indústria dos robots humanoides como um dos seis novos motores de crescimento económico nas diretrizes para o plano de desenvolvimento económico do país até 2030.

Em fevereiro, Wang Xingxing, fundador da Unitree, esteve em destaque numa reunião histórica entre líderes tecnológicos e o presidente Xi Jinping. Desde então, os robots produzidos por startups como a AgiBot e a Galbot tem “inundado” as redes sociais, com vídeos onde demonstram uma variedade de proezas: de correr maratonas a praticar kickboxing.

Previsões avançadas pelos analistas da Citigroup indicam que este mercado deverá alcançar a marca dos 7 biliões de dólares até 2050. Por outro lado, a adoção generalizada de robots humanoides ainda deverá demorar vários anos.

Até lá, as autoridades chinesas vão continuar a reunir esforços para que as empresas possam entrar no mercado de maneira mais justa. Como detalhado por Li Chao, o Governo chinês quer também reforçar a investigação e desenvolvimento de tecnologias-chave, promovendo a partilha de recursos no sector para acelerar a aplicação prática de robots humanoides.

(Teksapo)