Netflix alerta: Pirataria está a crescer rapidamente e é difícil de combater

By | 09/02/2024

“A pirataria [de conteúdos] também ameaça prejudicar o nosso negócio, pois a proposta fundamental aos consumidores é convincente e difícil de rivalizar: virtualmente todos os conteúdos de graça”. Este é um dos alertas que a Netflix, a maior empresa na área das plataformas de streaming de séries e filmes, deixa no documento que submeteu ao regulador da área da concorrência dos EUA e que funciona como prospecto atual e de médio prazo para o negócio da empresa.

O destaque que a Netflix dá ao fenómeno da pirataria de conteúdos é, segundo a publicação TorrentFreak, incomum, sendo este um tema que a empresa tipicamente não aborda de forma tão notória. Mas a tecnológica norte-americana vai mais longe nas preocupações que mostra com a prática do acesso ilegal a séries e filmes.

“Perante a proposta cativante para os consumidores, os serviços de pirataria estão sujeitos a um rápido crescimento global e os nossos esforços para impedir esse crescimento podem ser insuficientes. Se não conseguirmos rivalizar com sucesso ou de forma lucrativa com os concorrentes, atuais e novos, o nosso negócio será afetado negativamente e podemos não conseguir aumentar ou manter a quota de mercado, receitas ou rentabilidade”, sublinha a Netflix no relatório ao regulador.

A Netflix criou mesmo uma lista com os 20 principais desafios ao seu modelo de negócial atual, com a pirataria a figurar como um deles.

Netflix

E segundo a publicação TorrentFreak, além da Netflix, um cada vez maior número de empresas ligadas à distribuição de conteúdos em formato de vídeo têm assinalado o crescimento da pirataria de conteúdos como um dos grandes desafios para os respetivos negócios. A empresa americana coloca mesmo o acesso ilegal a conteúdos de vídeo como um concorrente com um peso tão significativo como o das plataformas de streaming concorrentes.

“O mercado do entretenimento é muito competitivo e sujeito a mudanças rápidas. Através de canais de distribuição novos e existentes, os consumidores têm cada vez mais opções para aceder a vídeos de entretenimento. Os vários modelos económicos subjacentes a estes canais incluem a subscrição, o transacional, o suportado por publicidade e os modelos baseados em pirataria”.

Apesar das dificuldades apontadas, a Netflix tem conseguido nos últimos trimestres aumentar o número de subscritores da plataforma: no quarto trimestre de 2023, referente ao período entre outubro e dezembro, a plataforma ganhou 13 milhões de novos subscritores, que eleva para um total de 260 milhões de subscritores em todo o mundo. Para estes números tem contribuído não só um forte investimento no lançamento de novas séries, filmes, videojogos e transmissões em direto (incluindo da WWE Raw), como uma nova estratégia de negócio que tem passado pela criação de planos de acesso gratuito, mas com publicidade, e ainda o fim da partilha de contas entre utilizadores.

(Exameinforamtica)